Monday, July 9, 2007

O que tem a ver os senadores corruptos de Brasília e a degradação ambiental do Planalto Central?

Em política as coisas mudam como as nuvens, não é o que ensinam os mais experientes?

Pois bem, nesta segunda-feira a impressão que se tem em Brasília é que está a cada hora mais difícil a posse no Senado do suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), Gim Argello (PTB-DF).

As denúncias são gravíssimas - grilagem de terra pública, projetos de lei mudando a destinação de terrenos no DF para aumentar seu preço em milhões de uma hora para outra… Tudo com processos na Justiça, denúncias na Câmara Legislativa, gravações da polícia e outras provas.

Foi num destes casos que Roriz se enrolou: aquele cheque de R$ 2,3 milhões, do Nenê Constantino, tinha a ver com a partilha do botim decorrente de rolos com a venda de uma fazenda relacionada com um lote que o velho comprou com a promessa de mudança da destinação feita pelo ex-deputado Wigberto Tartuce (processado por desvio de verbas do FAT etc).

A polícia ja tem o quadro completo - já não importa, festa de quadrilha acaba este mês, né não?

imprensa refresca a memória dos leitores e do Ministério Público mostrando como atuava Argello como distrital conhecido como “resolvedor” de “problemas de ocupação do solo”.

Isso num quadrilátero tomado do estado de Goiás, no alto e no centro do país, onde nascem três das quatro bacias hidrográficas brasileiras - onde as terras foram desapropriadas pela União no governo JK, meados dos anos ´50, portanto eram todas públicas…

…até o Primeiro Reinado de Roriz, quando começou a festa de quadrilha…

…em quinze anos no governo do Distrito Federal deixou  - e estimulou - que a quadrilha tipo irmãos Passos e Gim Argello grilassem ou ajudasse a grilar por ação ou omissão áreas de proteção ambiental que viraram 600 condomínios ilegais, em terras pagas nos anos ultimos 50 anos pelo  dinheiro do contribuinte brasileiro

A indústria da grilagem e da construção civil nestes condomínios (metade de classe média) foi o que moveu a economia não-governamental do DF desde a crise econômica da estagflação brasileira, nos anos 80, até a alta e concentrada renda exibida pelo ex-governador Roriz à nação através das gravações da polícia.

A consequência geopolítica deste processo de organização de “festas de quadrilha”, depois que saiu a guarda militar da ditadura, é que rapidamente se ocuparam enormes extensões de terra no topo da “caixa dágua” do Planalto Central, distorcendo o projeto original que previa Brasilia com apenas 500 mil habitantes no ano 2000. 

Virou uma mega-região metropolitana com mais de 3 milhões de habitantes, contando o DF e o Entorno - lembra que Roriz construiu a superfaturada hidrelétrica de Corumbá IV contra todo o movimento ambientalista no início do milênio? Era para custar 40 e saiu por 200 milhões, se não falha o acesso ao HD.

Resultado para  nós e noss@s descendentes que sobrevivermos ao aquecimento global misturado com corrupção eleitoral…

… um desastre ambiental, em volta do cenográfico Plano Piloto,  patrimônio da Humanidade tombado pelas Nações Unidas.

A situação - ainda “subterrânea” e portanto pouco visível - tende a comprometer as nascentes das bacias do Tocantins (que corre para o norte e junta-se na foz com o Amazonas), do Paraná (que forma a bacia do Prata) ao sul, e do São Francisco, a leste, que têm primeiros e mais altos afluentes em lagoas naturais nas terras altas escolhidas para ser a capital da civilização brasilera no coração da América do Sul.

Posted by Joao Arnolfo in 16:15:05 | Permalink | Comments (2)