Friday, July 20, 2007

Morre ACM; Planalto pede desculpas por assessores de Lula reagindo com gesto chulo diante do acidente da TAM

20/07/2007 por João Arnolfo

FIM DE UMA ERA: MORRE ACM 

Há pouco recebi telefonemas sobre a morte do senador Antonio Carlos Magalhães, a quem conheci pesoalmente em 1996 ao lado de Pedro Malan, numa conversa de estadistas. Sabia que ele tinha protegido alguns camaradas comunistas em certo momento na Bahia, mas comandou o vice-reino com mão de ferro e era conhecido como Toninho Malvadez, que perseguiu jornalistas e teria mandado matar gente de oposição.

Mas aqui em Brasília era Toninho Ternura no trato com a imprensa, ajudou a derrubar a ditadura que antes apoiou. Dizem que foi o unico deputado federal (UDN) que dormiu no Catetinho quando da inauguração de Brasilia em 1960. Deixou um exemplo: como um dos últimos coronéis da politica nacional, nunca ficou em cima do muro e sempre tomou posição nas questões polêmicas, sem papas na língua. Vai fazer falta, assim como fez falta seu filho Luis Eduardo Magalhães. Pêsames aos baianos e à familia do deputado ACM Neto.

 PALÁCIO PEDE DESCULPAS POR IMAGENS DE ASSESSORES DE LULA REAGINDO AO ACIDENTE DA TAM: “AQUI Ó, SIFU”

 Por que o Governo se recusa a ver que acidentes aéreos da Gol e agora da TAM são partes do problema maior, que é a falta de investimento de emergência em grande escala para adequar o sistema aeroviário ao crescimento da renda e consequente aumento de passageiros e vôos?

O problema se resolve apenas - e somente - se for colocado dinheiro do Tesouro para investimentos de infraestrutura: o professor Guido Mantega está na dele, sentado em cima de bilhões de dólares de reservas como nunca houve, arrecadando internamente  outro tanto em reais e fazendo superávits primários razoáveis  para manter a economia planando enquanto não surgem crises externas à frente.

Se tudo está tão bem, por que então não destinou seis meses atrás meros  US$ 3 bilhões em três anos como contrapartida de empréstimo subsidiado do Bird ou outras instituições para reconstruir o sistema viário brasileiro?

Preferiu fazer gracinhas com a desgraça nacional falando na porta do ministério da Fazenda (onde ministro sério nunca deve  falar) que o problema aéreo era apenas reflexo do crescimento econômico que experimentamos.

Os petistas são bons nesse negócio de falar e fazer bobagens - lembra que assessores do Planalto praticamente “organizaram” a exposição presidencial à vaia sêxtupla no Maraca, de tão previsível que era?

Veja agora o que aconteceu ontem à noite quando Carlos de Lanoy, da Globo, teve idéia de ficar gravando imagens  pela vidraça do Palácio do Planalto.

Lá dentro o secretário de assuntos internacionais, justo quem não quis gravar com a equipe minutos antes, estava vendo tv ao lado do assessor de imprensa Bruno Gaspar, com as cortinas abertas.

Ao ver a reportagem do Jornal Nacional - sobre novas evidências de “outras falhas” no acidente de Congonhas, além da pista - Marco Aurélio foi gravado fazendo gestos tipo “top-top” do antigo Fradim do Henfil, batendo varias vezes a palma aberta da mão direita contra a  mão esquerda de punho fechado, com o indicador e polegar virados para cima, enrolados formando um pseudorificio simbólico.

Um símbolo que em português se traduz às vezes por “tomar no toba”.

Em ingles seria talvez “fuck it” no caso do Marco Aurelio, que pensa no idioma de Shakespeare mas age como um cavaleiro da triste figura.

Ao seu lado, o escriba barbudinho estilo PT jovem corrobora o grande chefe, mui diplomata, fazendo em complemento o seu próprio  gesto simbólico  (de pior gosto ainda, segundo jornalistas) de agarrar alguém por trás,  com propósito agressivo-sexual…

…Tipo “crau“, novamente recorrendo a onomatopéia do Pasquim dos anos 70.

Revelando detalhes do PT real, estes gestos têm fortes implicações politicas que no Congresso, mesmo em recesso,  já estão repercutindo.

Os parlamentares (e a mídia sem noticia) agora querem saber que história é essa de a Globo flagrando Marco Aurélio Garcia fazendo gestos tipo “quebra do decoro”, tripudiando em cima do maior acidente  da história da aviação na terra de Santos Dummont.

-O que significam mesmo estes  gestos do assessor especial de assuntos internacionais do presidente e de um assessor de imprensa, pegos pelas cameras indiscretas ,  ontem à noite, no mesmo horário que ia ao ar a reportagem do Jornal Nacional mostrando que há também possibilidade de falha do avião da TAM?

Ora direis ouvir estrelas, eis que companheiro Marco Aurelio estava apenas comemorando a noticia mostrando que a culpa era de alguém que não do seu governo, e dizendo pro assessor algo assim:

-Agora ó, sifu…

Ao que o aprendiz de feiticeiro corresponde ao chefe dizendo qeu agora vamos adiantar com nossas ações agresivas contra quem nos ataca:

-É isso aí, chefe, agora ó, crau neles!

Mais mau gosto não há, mas é só isso: macaquice.

Os diálogos por suposto são o que mostraria qualquer ”transcrição labial”  da “reação privada” que  Marco Aurelio explicou ter tido.

São um escândalo, na opinião do insuspeito senador Pedro Simon (RS), da ala do bem do PMDB.

Preste atenção ao que ele diz ao final da matéria.

A história do flagrante da Globo desde ontem à noite aumentou a indignação nacional.

Todo mundo intui - e quem tem informação como o senador Pedro Simon (PMDB-RS) sabe -  que ao fim e ao cabo a culpa pelas mortes é também do Governo Lula, sim senhor - ao contrário do que pretendem Marcus Aulicus planaltensis.

-“Foi uma das cenas mais dantescas, mais cruéis que eu já vi. A nação inteira chorando e o Palácio festejando, querendo dizer que a culpa não é do governo. Claro que a culpa é do governo. Essa série de absurdos que está acontecendo é culpa do governo. Mesmo que não fosse, comemorar é uma bofetada no povo brasileiro”, disse Pedro Simon.

Há outras variáveis no acidente, é claro - condições de terceiro mundo de controle de qualidade e manutenção do avião, impericia do piloto ao chegar muito rápido na aterrisagem, pista curta, sem obras de proteção nas cabeceiras.

Vídeos da Infraero que o próprio Palácio do Planalto deixou “vazar” de propósito para jogar a culpa no piloto e na TAM confirmam: o jato que pousou instantes antes demorou 13 segundo para percorrer trecho inicial da pista de Congonhas, enquanto o AirBus da TAM fez o percurso em apenas 3 segundos e logo em seguida acionou a aceleração mas não deu conta de arremeter e saiu fora da pista, batendo no depósito e avançando sobre a avenida.

Não foi apenas o furinho da Globo mostrando que o reversor da aeronave tinha apresentado problemas desde a  Sexta-Feria 13.

Fora travado e estava em observação, procedimento padrão, que aparentemente não influenciou no acidente - no máximo teria reduzido um pouco a velocidade do avião na pista (e não quando ele vinha descendo).

Os governos em geral têm a culpa sim por não ter feito os investimentos a tempo: a pista é curta, está no centro da megalópole paulista, não tem os gelos-de-bahiano que se usa em aeroportos urbanos nos Estados Unidos, não tem colchãos de solo mole para segurar avião que sai da pista, não tem nenhuma proteção.

Por que ainda não foi sumariamente desapropriada uma área de meio quilômetro depois da avenida Washington Luis para encompridar a písta?

Por que não se construiu rapidamente outro aeroporto para desafogar Congonhas? Por que não se ivnestiu na contratação de empresas para controle civil do tráfego e melhorou condições orçamentárias para FAB para supervisionar espaço aéreo e controle do espaço nacional?

Por que não se construiu, com este programa anti-apagão aéreo que até hoje não existe, trem rápido entre aeroportos longínquos até downtowns

Tudo porque ninguem teve coragem de propor aumento imeditato de gasto na proporção do tamanho do problema, mesmo com alguns milésimos de inflação a mais nmos meses e anos seguintes. 

Mais cedo ou mais tarde alguém terá que fazer o “trabalho sujo” de romper paradigmas, chutar pau de barraca, peitar a Fazenda etc - não é, Dilma?

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PS - Há pouco recebi telefonemas sobre a morte do senador Antonio Carlos Magalhães, a quem conheci em 1996 ao lado de Pedro Malan, numa conversa de estadistas. Na Bahia era Toninho Malvadez, que perseguiu jornalistas e mandou matar gente de oposição,mas aqui em Brasília era Toninho Ternura no trato com a imprensa. Deixou um exemplo: como um dos últimos coronéis da politica nacional, nunca ficou em cima do muro e sempre tomou posição nas questões polêmicas, sem papas na língua. Vai fazer falta, assim como fez falta seu filho Luis Eduardo Magalhães. É o fim de uma era.

Posted by Joao Arnolfo in 16:18:49 | Permalink | No Comments »