Saturday, August 18, 2007

Veja do fim de semana diz que para Renan agora só falta a degola: quem será presidente do Senado?

Você já notou que nem damos mais notícia do desenrolar das investigações do delegado-senador Romeu Tuma (DEM-SP) na República das Alagoas?

Depois da onça morta cachorro mija em cima, dizia meu avô Arnolfo.

De maneiras que nem precisa mais dizer que Renan Calheiros é caso de coveiro há muito tempo, teve foi muita sorte de eclodir a crise financeira global neste momento.

Mas o conselho de ética vai denunciar o amigo de Fernando Collor e inimigo da Heloisa Helena, levando o plenário a cassá-lo já que não pode mais renunciar ao mandato - no máximo pode deixar o cargo de presidente do Senado (e do Congresso, onde Fernando Gabeira já disse que ele não põe o pé).

Há pouco o Blogão do Noblat, pioneiro do blogjornalismo no Brasil, já recebeu mais cedo do companheiro Patury, da Veja.

O Bloguinho do João aqui, ó, só recebeu depois que o sol raiou…

Mas vai lá, a Veja do fim de semana que você verá nas bancas daqui a pouco, mostrando o que será de Renan, o persistente:  

Caso Renan

Só falta a degola

Resultado da perícia feita pela Polícia Federal demole a defesa de Renan e mostra que ele mentiu e deu papéis falsos aos senadores

Por Otávio Cabral na VEJA deste fim de semana:

“A Polícia Federal encaminha ainda nesta semana ao Conselho de Ética os resultados da perícia feita nos documentos apresentados pelo senador Renan Calheiros. O material examinado demole o frágil mas alardeado álibi do senador, com o qual ele queria demonstrar ter os recursos financeiros necessários para pagar suas despesas pessoais sem ter de recorrer aos préstimos de um lobista de empreiteira. As conclusões da polícia são devastadoras para Renan. Os peritos concluíram que não há evidência de que os recursos para pagar a pensão alimentícia da filha do senador saíram das suas contas bancárias.

Aos olhos da polícia, a documentação apresentada fica aquém de comprovar a origem da fortuna de Renan Calheiros e não confirma sua alegada arrecadação de 1,9 milhão de reais com a venda de bois. Entre os papéis de defesa do senador, segundo a polícia, há notas fiscais frias, recibos falsos e comprovantes de transações com empresas fantasmas. A perícia era a única peça de convencimento que faltava para o conselho concluir o relatório final e pedir a cassação de Renan Calheiros por quebra de decoro parlamentar. Não falta mais nada.

Na semana passada, dois dos relatores do caso Renan Calheiros no Conselho de Ética, Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), estiveram na sede da Polícia Federal, em Brasília. Reuniram-se reservadamente com Clênio Guimarães Belluco, diretor do Instituto Nacional de Criminalística, e com peritos que analisaram os documentos de Renan. Ouviram dos peritos que não há conexão entre as datas dos pagamentos de pensão feitos à jornalista Mônica Veloso, mãe da filha de Renan, e os saques na conta do senador. Ouviram que os documentos apresentados por Renan para justificar sua fortuna agropecuária não são idôneos, por envolver empresas e funcionários fantasmas e notas fiscais frias.

Ouviram finalmente que há dúvidas até se o presidente do Congresso foi realmente dono do milionário rebanho bovino que diz ter vendido a frigoríficos que não existem. Depois da reunião na Polícia Federal, um dos relatores resumiu assim o pensamento dele e dos colegas do Conselho de Ética: “Apresentar documentos falsos aos pares do Senado é uma clara quebra de decoro parlamentar. Usar um lobista para pagar despesas pessoais é uma clara quebra de decoro parlamentar. A única possibilidade é pedir a cassação de Renan”.

O laudo técnico confirma um relatório preliminar feito pela própria PF no fim de junho. Ele foi dividido em quatro partes. Na primeira, são apresentadas a estrutura do trabalho e as questões levantadas pela perícia. Na segunda, faz-se um histórico do primeiro laudo e detalha-se seu cruzamento com o segundo. Na terceira parte, listam-se os documentos analisados. Por fim, os peritos dão resposta técnica a cada uma das trinta perguntas feitas pelo Conselho de Ética sobre as negociações de gado do presidente do Senado. Dois terços das respostas são fatais para a defesa de Renan e envergonhariam qualquer cidadão honesto.

Depois de tomarem conhecimento das informações periciais, os senadores encarregados de determinar o futuro do processo em curso contra Renan descrevem como iminente o desenlace do caso. Até o senador Almeida Lima, do PMDB, terceiro relator do caso, nomeado com o claro propósito de garantir a absolvição de Renan, já aceita a tese da punição do aliado. Almeida Lima gostaria de circunscrever a punição a uma advertência, mas deve ser levado a aceitar o pedido de suspensão de mandato. O próprio senador já dá como certa a aprovação do relatório com o pedido de sua cassação na votação do Conselho de Ética. Renan aposta tudo agora na votação em plenário, em que o voto secreto permitiria a seus simpatizantes salvar-lhe o pescoço sem se expor ao escárnio público”.

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Wednesday, August 8, 2007

Após Supremo quebrar sigilo de Renan, Lula tira apoio e queda do clã Calheiros é só questão de tempo

Sob o título “Devassa nas contas de Renan”, o Correio Braziliense - principal jornal da capital federal, que na política costuma servir de pauta aos demais jornalões por trazer o feeling dos bastidores do poder - de hoje é um verdadeiro Requiem in Pace para o novo-rico das Alagoas e sua troupe.

Por quê será que Alagoas, que teve a vergonha de ver Fernando Collor de Mello sair pelas portas do fundo do Palácio do Planalto em 1992, agora tem outra crise dessas com Renan e Olavao Calheiros (e dezenas de ramificações locais) sendo cassados da vida política nacional?

Pour quoi? Why? Warum?

Por que Alagoas? O que tem isso a ver com os canaviais de antigamente, a destruição da Mata Atlântica, os escravos dos grandes engenhos, a degração socioambiental do passado ainda não de todo superado.

Mas o que tem isso a ver com uma familia pobre de Murici, interior do estado, que pegou carona na queda de Collor e emergiu?

Os Calheiros são os Collor de quinze anos depois… versão empobrecida, you know.

Indicando o rumo das coisas na politica, a capa do Correio, nos dias de crise nacional, costuma ser um bom retrato do nosso país. Com foto de Daniel Ferreira, a chamada (com a legendinha) de primeira página do CB de hoje é a seguinte:  

     
“O Supremo Tribunal Federal determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário,desde 2000, do presidente do Congresso. O objetivo é saber se Renan Calheiros teve despesas pessoais pagas por um lobista de empreiteira. No Senado, diante de outro revés — a decisão do Conselho de Ética de abrir novo processo, agora para investigar denúncia envolvendo a cervejaria Schincariol —, Renan reagiu com ameaçase bateu boca com o líder do DEM, José Agripino. Diante da reação dos oposicionistas, que prometem travar as votações se Renan não se afastar da presidência da Casa, o governo já admite reavaliar o apoio ao parlamentar alagoano.”

Fotolegenda: Crepúsculo político: Antes incensado na Casa, Renan enfrenta agora o constrangimento de ser ignorado até mesmo ao tentar apertar a mão de colegas, como o democrata Heráclito Fortes
  

Posted by Joao Arnolfo in 10:28:56 | Permalink | No Comments »

Thursday, July 26, 2007

Renan aparece na tv de Collor e diz que não é Severino Cavalcanti

Renan Calheiros e comitê de crise pensavam em aproveitar o recesso, o PAM (e até o desastre da TAM “ajudou”, no caso) para submergir e esperar a midia esquecer. 

Mas teve foi que providenciar uma ofensiva publicitária de emergência para responder à confirmação oficial da denúncia da Globo de que pelo 2 das firmas que ele aponta como compradoras de carne em Alagoas são de fachada, pelas novas perícias do próprio Senado em busca de dados para a Polícia Federal.

Carlos de Lanoy, garra de repórter novo, já tinha mostrado isso no Jornal Nacional mês passado - foi lá conferir e viu de perto como são falsos os bois de ouro do senador.

Aliás, Paulo Lacerda, da Federal, mandou avisar que no maximo em 10 dias “sai alguma coisa”, mas o prazo mesmo para responder ao pedido de nova perícia vai até 15 de agosto.

Ou seja: caso Renan só andará na segunda metade de agosto.

Ontem o senador  foi ao programa Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta, repetidora da Rede Globo e controlada pelo senador Fernando Collor (PTB-AL).

Gustavo Krieger escreve hoje no Correio Braziliense que  Renan e Collor mantêm “boas relações políticas”.

Isso inclusive explica muita coisa que vinha acontecendo na Mesa do Senado ultimamente: ninguém conseguia explicar porque o presidente do Senado não atendia desde abril o pedido da Frente Ambientalista Parlamentar, com 300 deputados e senadores coordenados por Zequinha Sarney (PV-MA), para que fosse convocada sessão conjunta para ouvir o ex-quase futuro presidente americano Al Gore, no Congresso.

É que o convite da Frente atrapalhou outro que vinha sendo anunciado pelo recém eleito senador Fernando Collor, que achava que os marketeiros de Gore deixariam que ele viesse ao Brasil a seu convite, para aparecer ao lado da imagem negativa que o ex-presidente alagoano carrega (já reparou que ninguem gosta de sair em foto ao lado dele e de Maluf, por exemplo?).

“Deixa ele, ele já pagou seus crimes nestes oito anos de ostracismo”, tentou contemporizar o companheiro Zequinha, filho do ex-presidente José Sarney, tido até pouco tempo como aliado de Renan.

Collor voltou mais maduro, menos arrogante, mas além de uma plástica para o povão esquecer sua imagem seria bom fazer algo no plano, digamos, mágico- espiritual -  para tentar um dia  recuperar credibilidade fora de seu curral eleitoral, que parece ser o mesmo de Renan: o povo pobre e sem estudo do estado que os donos de engenho e usineiros da cana-de-açucar empobreceram social e ambientalmente desde os primeiros anos da chegada dos portugueses, cinco séculos atrás. 

Outro conflito de Renan com os verdes: ele vem acusando o golpe desferido por Fernando Gabeira (PV-RJ), que recentemente apareceu em pesquisa da Veja como o único deputado que integra uma roda de cinco ou seis parlamentares influentes que a população vê como realmente honestos e éticos (os outros todos são senadores).

E Gabeira prometeu ontem voltar à carga contra o presidente do Senado que “não quer largar o osso”, junto com seus amigos radicais do PSoL e aliados de ultima hora dos partidões de oposição (DEM e PSDB).

A versão de Renan: a crise no Senado seria artificial e Gabeira e o PSoL erram ao confundi-lo com o ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou depois de ser acusado em plenário de corrupto por Fernando Gabeira, em cena histórica

“As pessoas pensaram que estavam diante de um fato consumado e de uma pessoa vulnerável, um novo ‘Severino’, mas erraram completamente. Em nome da minha dignidade vou resistir até a última hora” - promete o presidente que já não preside o Congresso mas acredita o contrário.

Enfim, o fantasma de Severino colou em Renan e não vai largá-lo enquanto ele não deixar pelo menos a cadeira de presidente do Senado.

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Saturday, July 7, 2007

Veja mostra como Renan Calheiros e familia ganham dinheiro na política das Alagoas

A  oligarquiazinha arrebanhada por Joaquim Roriz no sertão politico do centro-oeste está se desvanecendo - e poluindo o ambiente com gas metano de padridão em todas as áreas da vida na republiqueta do DF.

Mais grave é o que acontece com a oligarquia fertilizada por Renan Calheiros na republiqueta das Alagoas ( não confundir com o Estado de Alagoas ) - vai começar a esvair-se, mas vendendo fazendas superfaturadas é provável que consiga reinflar-se novamente por gerações.

A revista Veja que começou a ser enviada para os assinantes vips neste inicio de manhã traz coisas horrorosas sobre os negócios de Renan Calheiros e de seus familiares, deputados, prefeitos, primos e fantasmas.

Blogão do  Noblat  publicou mais cedo, recebeu às 6h da Veja.

Aqui, um bloguinho que mal saiu do aquário de ciberfocas, publica agora o release antecipado da Veja deste fim de semana:

Negócios milionários

Nos últimos anos, a fortuna de Renan Calheiros e de sua família não pára de crescer. Somenteuma transação com a cervejaria Schincariol rendeu 17 milhões de reais de lucro aos Calheiros, num negócio crivado de estranhezas  

Por Octavio Cabral

O senador Renan Calheiros já presidiu mais de dez sessões do Senado desde que veio a público a revelação de suas relações promíscuas com um lobista de empreiteira. Nenhuma delas, porém, foi tão devastadora quanto a sessão de terça-feira passada. Durante duas horas e cinqüenta minutos, dezessete senadores pediram a palavra – e quinze exortaram Renan Calheiros a se afastar da presidência do Senado. Os pedidos em série começaram depois que o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, informou que seu partido decidira pedir o afastamento de Calheiros, tornando-se assim o quarto partido no Senado a fazê-lo.

“A posição decidida pelo PSDB é sugerir, e desta vez olhando nos seus olhos, que se afaste da presidência do Senado até o momento final das investigações”, disse Arthur Virgílio, dirigindo-se a Renan Calheiros. Daí em diante, outros senadores, de sete partidos diferentes, engrossaram o coro. Sentado à cadeira de presidente, com o semblante constrangido mas simulando frieza, Calheiros falou duas vezes na sessão. Em ambas, disse que não arredaria pé do cargo e chegou a afirmar que não sabia nem do que era acusado.

“É de quebra de decoro”, gritou, do plenário, o senador Demostenes Torres, do DEM de Goiás. Rememorando: Calheiros é suspeito de pedir a Cláudio Gontijo, lobista da Mendes Júnior, para pagar a pensão e o aluguel da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de 3 anos. Para defender-se da suspeita, o senador apresentou um calhamaço de documentos dizendo que lucrara 1,9 milhão de reais nos últimos quatros anos. Com isso, queria provar que tinha dinheiro para pagar à jornalista. Os documentos, porém, eram inconsistentes e acabaram mostrando a excepcional evolução do seu patrimônio – estimado hoje em 10 milhões de reais.

A papelada revelou que o senador não tinha fazenda nem gado até 2002 e, nos últimos quatro anos, subitamente se mostrou um notável sucesso como pecuarista. Na semana passada, VEJA encontrou outro negócio no qual os Calheiros merecem medalha de ouro. Trata-se de uma fábrica de tubaína, construída em 2003, que, nas avaliações mais otimistas, vale menos de 10 milhões de reais. Em maio do ano passado, porém, os Calheiros conseguiram vendê-la à Schincariol, a segunda maior cervejaria do país, por 27 milhões de reais. Um negócio estupendo.

Em 2003, o deputado Olavo Calheiros, irmão do senador, resolveu abrir a Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes, em Murici, no interior de Alagoas, terra natal dos Calheiros. Ganhou, de graça, um terreno de 45.000 metros quadrados, avaliado em 750.000 reais. O doador foi a prefeitura de Murici, na época comandada por Remi Calheiros, irmão de Olavo e Renan. A prefeitura também deu à fábrica isenção por três anos no pagamento de água, insumo essencial para uma fábrica de refrigerantes.

Com terreno e água de graça, Olavo bateu à porta do Banco do Nordeste, o BNB, e conversou com o gerente José Expedito Neiva Santos, que fez gestões junto ao BNDES para conceder ao deputado um empréstimo de 6 milhões de reais, com vencimento em vinte anos. O gerente Expedito Santos aceitou, como garantia do empréstimo, a escritura de uma fazenda que o Ministério Público suspeita ser falsificada. Concluído o empréstimo, o gerente, por indicação de Renan Calheiros, foi promovido a superintendente estadual do BNB em Alagoas.

Com fábrica instalada, água e terreno de graça e dinheiro para pagar em duas décadas, a Conny, ainda assim, foi um completo fracasso. Três anos depois, só vendia refrigerantes na região de Murici. Tinha apenas 0,1% do mercado nordestino. Devia 150.000 reais em contas de luz, não pagava o empréstimo e já devia 9,9 milhões de reais ao BNDES. A situação era tão lamentável que a fábrica recorria contra dívidas irrisórias. Entrou com ação judicial para não pagar a anuidade de 1.600 reais ao Conselho Regional de Química.

Também foi à Justiça para não pagar 3.600 reais por ano de taxa de fiscalização ao Ibama, o órgão que cuida do meio ambiente. Sofria até ação de cobrança do Inmetro, que fiscaliza o padrão e a qualidade dos produtos no país. O Inmetro cobrava 900 reais da fábrica dos Calheiros. Com as contas no vermelho e prestes a fechar as portas, a fábrica conseguiu ser negociada por 27 milhões de reais. Olavo pagou as dívidas – e embolsou 17 milhões de reais, limpinhos, conforme a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, que autorizou o negócio.

Na época, a Schincariol explicou que comprara a fábrica para expandir sua presença no mercado nordestino. Pagou um preço exorbitante. Um especialista no setor ouvido por VEJA diz que se constrói uma fábrica semelhante à da Conny com 10 milhões de reais – menos da metade do que a Schincariol desembolsou. Em junho passado, a mesma Schincariol comprou a Indústria de Bebidas de Igarassu, no interior de Pernambuco, que fabrica a cerveja Nobel. A Igarassu é maior do que a fábrica dos Calheiros, tem 10% do mercado de Pernambuco e capacidade para produzir 5 milhões de litros por mês, contra 4,5 milhões da fábrica dos Calheiros.

Ainda assim, mesmo sendo maior e mais importante, a Igarassu saiu por 10 milhões de reais. Em janeiro passado, a cervejaria Baden Baden, de Campos do Jordão, no interior paulista, famosa por fabricar cerveja artesanal, também foi adquirida pela Schincariol. A Baden Baden faturava 5,5 milhões por ano e vinha aumentando sua participação no mercado de produtos sofisticados. Saiu por 30 milhões de reais, apenas um pouco a mais do que a Conny dos Calheiros. A pergunta que fica é: por que a Schincariol pagou tanto à família Calheiros?

As atividades do senador Renan Calheiros em Brasília podem ser uma pista. Depois que a fábrica em Murici foi vendida, o senador interessou-se pelas dificuldades da Schincariol em Brasília, já que, um ano antes, seus cinco dirigentes haviam sido presos pela Polícia Federal sob acusação de sonegação de 1 bilhão de reais. O senador esteve pelo menos três vezes no Ministério da Justiça para saber dos desdobramentos da Operação Cevada, que prendeu os donos da cervejaria. Também andou visitando a cúpula do INSS, que planejava executar dívidas previdenciárias de cerca de 100 milhões de reais da Schincariol.

As dívidas, como que por mistério, não foram executadas até hoje. Ou melhor: o INSS executou, sim, mas apenas uma dívida de 49.700 reais. Renan Calheiros andou, também, pela Receita Federal, onde chegou a falar sobre uma multa milionária que o órgão aplicaria à Schincariol. Sabe-se lá por quê, até hoje a empresa não sofreu multa milionária nem a cobrança do 1 bilhão de reais sob suspeita de sonegação. Melhor que isso: a Receita, em vez de manter a contabilidade da dívida centralizada, pulverizou-a pelos seis estados onde a Schincariol tinha fábrica na época. Isso complica e retarda uma cobrança de dívida.

Na semana passada, depois da sessão do Senado em que os parlamentares pediram o afastamento de Renan Calheiros, o Conselho de Ética voltou a trabalhar, escolhendo três relatores para o caso. Decidiram completar a perícia da Polícia Federal sobre a papelada dos negócios do senador e analisar a evolução do seu patrimônio. A venda da fábrica em Murici, formalmente, está fora da investigação porque foi um negócio do deputado Olavo Calheiros, e não do senador. No entanto, os negócios de ambos se entrecruzam o tempo todo. Um compra fazenda do outro. Um arrenda terras para o outro. O gado de um anda na fazenda do outro, e vice-versa.

Os dois também se revezam no Congresso quando se trata de despejar dinheiro na obra do Porto de Maceió, tocada pela empreiteira Mendes Júnior. Em 2001, 2002 e 2003, o deputado fez emendas para a Mendes Júnior. Nos anos seguintes, 2004 e 2005, foi a vez do senador. Sob esse aspecto, a modesta fábrica de tubaína em Murici que conseguiu ser negociada por 27 milhões de reais poderia despertar a atenção dos membros do Conselho de Ética. A suspeita que o negócio desperta é a seguinte: será que, além de usar o lobista da Mendes Júnior, o próprio senador Renan Calheiros se converteu num lobista da cervejaria Schincariol?

Ninguém sabe, mas há duas certezas na história. Uma delas é que a cervejaria tem apreço pela família Calheiros, tanto que foi a principal financiadora da campanha do deputado Olavo Calheiros e do seu outro irmão, o deputado Renildo Calheiros. Ambos receberam 200.000 reais da empresa. A outra certeza é que os irmãos atuam como líderes da bancada da cerveja, composta de 41 parlamentares que defendem os interesses do setor. A Schincariol diz que vai começar em breve a fabricar o suco Skinka em Murici, mas prefere não fazer nenhum comentário sobre sua relação com o senador Renan Calheiros e seus irmãos deputados. “

Posted by Joao Arnolfo in 14:24:54 | Permalink | No Comments »