Tuesday, July 24, 2007

Vamos abrir logo os arquivos da ditadura - inclusive para facilitar acerto de contas com a História

Por mais que Jose Genoino (PT-SP) se esforce para dialogar e arrumar verbas para os militares atuais - não os que nos torturaram - é preciso reconhecer que ninguem confia nos militares brasileiros até hoje. 

Gauchão, militante de esquerda morto entre Chile e ArgentinaA abertura total dos arquivos da ditadura militar, como fizeram outros países onde a guerra foi mais longa e sangrenta, mostra que este é um auxilio à pacificação.

O problema interfere em muita coisa - no uso das forças armadas no Rio, na questão do controle do tráfico aéreo que resultou em quase 400 mortes em 8 meses e na questão dos salários dos militares, que vêm sendo punidos pelo que fizeram ao país os antecessores dos atuais comandantes.

Quando assessorava o Plano Real a pedido de FHC, disse mais de uma vez: precisa dar um jeito de reaparelhar a Força Aérea, modernizar o Exercito, dar função ecológica à Marinha. Ao ministro Pedro Malan disse também, a bordo de um HS, que precisava começar logo a reaparelhar e principalmente atualizar o poder de compra dos soldados, cabos, tenentes e oficiais militares. Iniciar este “processo” - como ele dizia - acho que seria recuperar a dignidade dos militares com salários à altura do que devem representar numa democracia quase de massas, no Seculo 21.  A jornalista Catarina Malan testemunhou uma dessas conversas, logo após passarmos por um baita susto ao levantar vôo do Campo de Marte, quando os céus de São Paulo na segunda metade dos anos 90 ainda eram relativamente seguros.

Por que não há um acordo nacional, com recursos do Tesouro, para acertar esta conta de vez?

Até o general Antônio Bandeira, que me prendeu e torturou em 1970, já morreu - há pouco tempo, disseram-me estes dias, doente da cabeça e velhinho no Recife.

Não aceitamos que pela existência de meia centena de generais que ainda estão vivos, de pijamas já empoados, passem medo em Lula e na companheira Dilma Rousseff com pseudo-conspirações alardeadas pelo ex-terrorista Carlos Alberto Ustra, do Rio Centro…

E assim impeçam que os documentos secretos do Itamarati sejam divulgados pelo chanceler Celso Amorim - ele mesmo diplomata perseguido em 1982 por liberar verba da Embrafilme para a produção de Pra Frente Brasil, contrário aos militares. 

Partidos de esquerda - entre os quais o PPS ,  PCdoB e  Partido Verde - devem exigir do governo Lula nas proximas horas, dias, meses a abertura dos arquivos da ditadura.

A necessidade disso ficou clara com a publicação pelo Correio Braziliense, desde domingo (22), de série de reportagens de Claudio Dantas sobre o Centro de Informação do Exército (CIEx) e sua conexão com o Ministério das Relações Exteriores (Itamarati) para espionar e eliminar ativistas de esquerda que do exterior lutavam contra a diturada dos militares brasileiros entre 1966 e 1985.

Veja a repercussão em alguns países:

  • CLARÍN X
    Chancelaria perseguiu opositores

    Com essa manchete e uma foto de parentes de desaparecidos políticos, o jornal mais influente da Argentina repercutiu ontem a série de reportagens publicadas pelo Correio Braziliense. “Foi na última ditadura, e alcançou líderes políticos exilados do Brasil”, revela o resumo da matéria. Segundo o Clarin, novos documentos sobre as atividades secretas da chancelaria brasileira, revelados no domingo pelo Correio, confirmaram o papel do Itamaraty na perseguição de exilados. O texto destaca que as maiores personalidades políticas do Brasil, como os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, foram vigiados.
  • la Repubblica
    Reserva moral durante ditadura

    O jornal de Montevidéu reproduz uma reportagem da agência France-Presse (AFP) e explica que “o principal diário da capital brasileira informa que teve acesso a mais de 8 mil informes do Centro de Informações do Exterior (Ciex), criado no Itamaraty, o que desmente uma versão de que a diplomacia brasileira esteve à margem da repressão política. “O Correio lembra que até agora a escassez de evidências da participação da diplomacia brasileira fez crer a todos que o Ministério das Relações Exteriores tinha sido a reserva moral da democracia, em pleno regime militar”, afirma o La Repubblica.
  • ABC
    Colaboração de militares

    O diário de Assunção também repercute a denúncia do Correio sob o título “Itamaraty colaborou com o regime militar”. Segundo a publicação, uma reportagem especial revelou a existência de um órgão da Chancelaria brasileira integrado por diplomatas e encarregado de perseguir opositores. O ABC Color reproduz trechos da matéria e traz declarações do repórter Claudio Dantas Sequeira, autor da série. De acordo com o jornal, 64 dos 380 brasileiros mortos ou desaparecidos durante a ditadura militar constam do Ciex.
  • La Diaria
    Olho de condor no Brasil

    O jornal de Montevidéu divulga detalhes da participação do Itamaraty na perseguição a exilados. O título acima faz alusão à Operação Condor — repressão a opositores do regime militar desenvolvida em conjunto por Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Bolívia. O La Diaria também cita o Correio Braziliense e destaca um trecho da reportagem. “Depois de quatro meses analisando cada documento, seu grau de confiabilidade e seu nível de distribuição, pode-se concluir que nunca houve refúgio seguro para os brasileiros contrários ao golpe de 1964”, sublinha.
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Sunday, July 15, 2007

Nem a Veja tem mais novidades sobre os Calheiros - e precisa?

Matéria da Veja deste fim de semana não tem novidade mas este fato em sim já ajuda a avaliar as consequências do impasse com o presidente ainda do Senado que já não preside mais o Congresso…

Virou um daqueles tristes casos que as limpadoras contam, de alma penada vagando de noite pelos subterrâneos do Palácio do Congresso…

Se estivesse seguro da inocência - jamais recebeu dinheiro da Schincariol ou da Mendes Júnior? - já poderia ter se afastado numa boa e esperado as conclusões do conselho de ética, onde poderia perder mas depois ganharia (ja não ganha mais) no voto secreto do plenário com congrole governista.

Mas não, até o governo o abandona rapidamente, ele mesmo mostra que sabe que o fim está próximo: nem o garçon fica à vontade lhe servindo cafezinho. 

Com fotos dos amigos Andre Dusek/AE e  Lula Marques/Folha, vamos à matéria da VEJA na retranca Brasil:

O senador agoniza em público…

…mas insiste em ficar no cargo, paralisando
o Senado e expondo a instituição ao descrédito.  

O deputado Olavo (à direita) e o senador Renan (acima), irmãos enrolados com venda suspeita de fabriqueta de refrigerantes à cervejaria Schincariol

Otávio Cabral

Desde os tempos em que os senadores eram escolhidos pelo imperador e precisavam ter renda superior a 800.000 réis por ano, o Senado nunca viveu uma crise como a provocada pelo Renangate. Criada há mais de 180 anos, a Casa já passou por maus bocados, desde seu fechamento pela ditadura militar, em 1968, até o assassinato a bala de um senador por outro dentro do plenário, mas nunca ficou paralisada pela mera presença de seu presidente na cadeira de presidente. Nem mesmo no escândalo que resultou na renúncia do ex-senador Jader Barbalho. Na semana passada, com a divulgação da mais recente novidade, segundo a qual o senador Renan Calheiros prestou favores à Schincariol depois que a cervejaria comprou uma fabriqueta de sua família por um preço astronômico, a situação chegou ao seu ponto mais crítico até agora – e Calheiros passou a agonizar em público.

Na terça-feira, o senador, enquanto presidia a sessão, bateu boca com o tucano Arthur Virgílio e chegou a socar a mesa: “Se quiserem a minha cadeira, vão ter de sujar as mãos”. No dia seguinte, Calheiros esquivou-se de comandar uma sessão conjunta do Congresso para fugir do protesto preparado pelos deputados. Eles iriam distribuir 100 cartões vermelhos aos colegas, que os levantariam na sessão pedindo o afastamento do senador. Na quinta-feira, senadores de cinco partidos deixaram o plenário em protesto contra manobras patrocinadas pelo presidente Calheiros para proteger o réu Calheiros no processo em que é acusado de manter relações promíscuas com o lobista de uma empreiteira. “Essa crise gera um embaraço inédito para a instituição por atingir um presidente que é processado no exercício do cargo e usa o cargo a seu favor”, diz o cientista político e historiador Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB).

A situação de Renan Calheiros é patética. Não pode presidir uma sessão do Senado, e nega que haja crise no Senado. Não tem saído de sua residência oficial, localizada no Lago Sul, em Brasília, porque sua aparição em público pode provocar constrangimentos. Também não vai a Alagoas, seu estado natal, com receio de atrair manifestações de repúdio. No Senado, sua situação é de crescente isolamento – físico até. Antes, seu gabinete era o mais movimentado da Casa, com parlamentares entrando e saindo constantemente. Agora, só é freqüentado por seus mais fiéis defensores. Nem o PMDB, seu partido, lhe tem estendido a mão. Na semana passada, Calheiros pediu ao presidente do partido, deputado Michel Temer, o lançamento de uma nota oficial em seu apoio. Disse-lhe Temer: “Não dá mais, Renan. Seu caso não é jurídico. O seu problema é a falta de condições políticas”.

Desde o fim de maio, Renan Calheiros enfrenta uma crise pessoal que insiste em misturar com o Senado – e, agora, ela começa a transbordar para sua família. Seu irmão, o deputado Olavo Calheiros, que vendeu por 27 milhões de reais a fábrica de refrigerantes da família que não valia mais que 10 milhões de reais, está sob o risco de sofrer uma investigação na Câmara. O PSOL – sempre o PSOL – pedirá a abertura de um processo para apurar o negócio. Há a suspeita de que o valor espetacular obtido na venda da fábrica tenha sido pagamento por tráfico de influência dos irmãos Calheiros em favor da Schincariol. Será uma investigação importante também para entender como o deputado Olavo Calheiros enriqueceu tão depressa. Em 1998, seu patrimônio declarado era de apenas 95.000 reais. Quatro anos depois, já chegava a 2,8 milhões. No ano passado, batia em 4 milhões de reais.

O deputado Calheiros, embora numa situação muito mais confortável que a do irmão, pelo menos por enquanto, também anda sumido. Sua única aparição na semana passada aconteceu no ato de desagravo a Renan Calheiros. O ato deveria ser um jantar na churrascaria mais badalada de Brasília, mas o receio – mais uma vez – de que a presença de Renan Calheiros atraísse protestos levou os organizadores a escolher um discreto restaurante às margens do Lago Paranoá. No jantar, o senador anunciou que aproveitaria o recesso parlamentar para visitar seu reduto eleitoral, mas foi desaconselhado. Seria difícil encarar os passageiros do avião e os protestos que estavam sendo organizados em Maceió. Renan Calheiros desistiu. Ao jantar em sua homenagem compareceram 57 prefeitos de Alagoas. A previsão era que aparecessem oitenta. Como se vê, já tem até prefeito do interior que não quer ser fotografado ao lado do senador Renan Calheiros. Sinais do fim

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Wednesday, July 11, 2007

Baixa umidade e alta impunidade antecipam queimadas em Mato Grosso

O aquecimento global está fazendo com que chegue mais cedo este ano o velho problema das queimadas em regiões agrícolas, provocadas principalmente por fazendeiros procurando um jeito mais barato de limpar pastos ou área de lavoura.

Em Cuiabá a população está sofrendo com o aumento dos problemas respiratórios devido ao grande número de queimadas, que ameaçam também a navegação aérea e a biodiversidade dos parques nacionais da Chapada dos Guimarães e da Serra da Bodoquema.

Todo ano é a mesma ladainha, mas agora começou mais cedo: os satélites do Inpe mostram que dos 321 “focos de calor” (queimadas, quase sempre) registrados ontem em todo o país, nada menos que 234, ou 76%, estão em Mato Grosso.

O Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa que causam o aquecimento global. E das 6 milhões de toneladas que emitimos diariamente na atmosfera, cerca de 75% vem das queimadas.

Diante da gravidade da situação e das pressões internas e externas, o Brasil terá que adotar metas, fixadas em lei, para redução das emissões de CO2 - na prática isso significa que vamos ter que diminuir, de algum jeito, as queimadas.

Que tal começar aplicando a lei de crimes ambientais de maneira pontualmente didática, multando pelo menos um incendiário ambiental por dia e mostrando nos telejornais?

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Saturday, June 30, 2007

Matéria da Veja apressa o fim da Era Roriz no Distrito Federal

A matéria da edição da Veja que começou a circular hoje, com data de 4/7/07, entrerra o senador Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal, mais rapidamente do que o presidente do Senado Renan Calheiros, em primeiro lugar na lista de pedidos de investigação em tramitação no conselho de ética.

O novo presidente do conselho de ética do Senado está sendo escolhido neste fim de semana, já que Leomar Quintalinha está mais manchado no noticiário do que puleiro de galinha, como se diz em Goiás, de onde ele foi pro Tocantins. 

 Leia a íntegra da matéria da Veja sobre o coronel do centro-oeste, Joaquim Roriz: 

O dinheiro era para subornar

Joaquim Roriz usou dinheiro de Nenê Constantino para pagar propina a juízes

Por Diego Escosteguy:

O senador Joaquim Roriz, flagrado em uma conversa telefônica combinando a partilha de 2,2 milhões de reais, finalmente subiu à tribuna para explicar-se na semana passada. Com um discurso pronunciado à semelhança de Odorico Paraguaçu, o inesquecível personagem de folhetim que encarnava o aspecto folclórico da política, Joaquim Roriz repetiu o que dissera antes – só que, da tribuna, adicionou algumas lágrimas e muita retórica. “Quem em sua vida nunca pediu um empréstimo a um amigo?”, disse. “Será que um senador não poderia pedir um empréstimo a um amigo de longa data?”, repetiu. “Imaginem se pedir dinheiro emprestado é falta de decoro. Meu Deus! A que ponto chegamos?” No discurso, Roriz disse que pediu 300.000 reais ao seu amigo e empresário Nenê Constantino, dono da Gol Linhas Aéreas, para pagar uma bezerra. Constantino entregou um cheque de 2,2 milhões, Roriz sacou o dinheiro, reteve 300.000 reais e devolveu o restante, 1,9 milhão, ao empresário. A novidade é que, se parte do dinheiro foi mesmo usada para pagar uma bezerra, outra parte teve destino explosivo – serviu para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral que livraram Roriz de cassação em 2006.

Na semana passada, VEJA conversou com um político que priva da intimidade do senador e que ouviu a confissão do pagamento da propina do próprio senador – e não de terceiros. Ele conta que, no começo de fevereiro passado, Joaquim Roriz recebeu seu suplente, o ex-deputado distrital Gim Argello, em sua casa. Conversaram sobre os boatos de que a decisão pró-Roriz do TRE teria sido comprada. A certa altura, travou-se o seguinte diálogo:

Argello – O Agnelo (refere-se a Agnelo Queiroz, ex-ministro e candidato derrotado ao Senado) me disse que a decisão foi comprada. É isso mesmo?

Roriz – É isso mesmo. Achei que o processo não ia dar em nada, mas tivemos de resolver. Tivemos de comprar dois.

Conforme o relato do político que detalhou o assunto a VEJA sob a condição de manter-se anônimo, “comprar dois” significa subornar dois juízes do TRE. Na mesma conversa, Roriz lembrou ao interlocutor que o mandato de senador também lhe pertencia. “O mandato também é seu, você precisa me ajudar”, apelou. “Tem de levantar 1,2 milhão”, detalhou. Roriz não explicou se 1,2 milhão de reais era o valor total da propina dos dois juízes ou se era a parte que faltava pagar. A solução não demorou a surgir. No dia 13 de março, conforme aparece no diálogo telefônico capturado pela polícia, Roriz descontou o cheque de 2,2 milhões de Nenê Constantino e, sabe-se agora, repassou pelo menos 1,2 milhão aos juízes subornados. Isso explica por que, na conversa grampeada, Roriz se recusa a receber o dinheiro em sua própria casa, num carro-forte, e explica que a partilha dos recursos envolve outras pessoas. “O dinheiro é de muita gente”, diz ele.

O caso que livrou Roriz da cassação foi julgado em 23 de outubro, mas começou no dia 19 de setembro, quando o Ministério Público o acusou de uso político da máquina pública do governo do Distrito Federal. Na época, Roriz deixara o cargo de governador para concorrer ao Senado, e a estatal de abastecimento de água, a Caesb, mudara em propagandas seu número de atendimento telefônico de 115 para 151 – número de Roriz nas urnas. O placar do julgamento no TRE estava em 3 a 2 contra Roriz. Um juiz pediu vistas e, dias depois, quando a sessão foi retomada, votou a favor de Roriz, cravando um empate em 3 a 3. Antes que o presidente do tribunal desse seu voto de Minerva, um dos juízes que votaram contra Roriz subitamente mudou de idéia. Com isso, Roriz livrou-se da cassação por 4 a 2. A virada no placar teria custado pelo menos 1,2 milhão de reais. Procurado por VEJA, o suplente Gim Argello confirmou o encontro com Roriz, mas disse que não faria comentários a respeito de pagamento de propina.

Na versão oficial de Roriz, a sobra de 1,9 milhão não virou propina para ninguém. Foi devolvida ao empresário Nenê Constantino. VEJA perguntou ao empresário o que ele fez com o 1,9 milhão de reais, mas o empresário não respondeu. Roriz, por sua vez, alega que os 300 000 reais foram usados para pagar uma bezerra, de 271 000 reais, e a sobra de 29 000 reais foi emprestada a Benjamin Roriz, seu primo, que estava com problemas de saúde na família. O problema de Roriz é que a nota fiscal que supostamente comprova o pagamento de 271.000 pela bezerra está crivada de mistérios. A nota foi emitida no dia 1º de março, o bicho foi entregue no dia 3 e o pagamento foi feito apenas no dia 14. Por que alguém entrega a mercadoria e a nota antes de receber o dinheiro? Além disso, a nota informa a venda de “04″ animais, mas na versão de Roriz foi apenas uma bezerra.

Mais: na nota consta o pagamento de 532.000 reais, mas Roriz diz que obteve um desconto de 50%. O vendedor confirma. “Ele chorou muito e eu dei o desconto de 50%”, diz o pecuarista Márcio Serva. Mas fica a pergunta: por que o vendedor faz uma nota com um valor superior ao real? Para pagar mais imposto? Márcio Serva não soube explicar. Por fim, a nota fiscal distribuída à imprensa vem com um cabeçalho de fax em que se lê a data de 30 de maio de 2005. Com base nessas informações, deduz-se que nessa data a nota foi enviada da empresa de Roriz para algum outro lugar – o que sugere que a nota, apresentada como sendo de agora, é muito mais antiga. Isso é fraude. Os assessores de Roriz dizem que o fax estava com defeito e informava data e hora incorretas. Apesar do acúmulo de inconsistências a respeito da nota fiscal, ainda assim não há evidência concreta de que o negócio de 271.000 reais não tenha sido feito. O que parece certo é que a parte do leão do dinheiro, o 1,9 milhão de reais restantes, não foi para as mãos do empresário Nenê Constantino, mas acabou azeitando o propinoduto de Roriz. Haverá mais lágrimas e mais retórica.

(Reportagem transcrita da VEJA, edição de 4/7/2007)

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Thursday, June 28, 2007

Prevendo cassação, Roriz deverá ser mais esperto do que Renan e renunciar antes da abertura do processo

Se não renunciar ao mandato de senador da República, Joaquim Roriz corre o risco de nunca mais voltar à política - pois está praticamente certo que na terça ou quarta será aberto o processo no Conselho de Ética, como pedem requerimento do PSoL e mobilização de rua multipartidária no fim de semana.

Se bobear, achar que não será aberto processo por decoro parlamentar, dança. Mesmo porque até o corregedor, delegado-senador Romeu Tuma já disse que há sim quebra de decoro na conversa gravada pela polícia (de Brasilia) e confirmada por nota à imprensa sobre a tal bezerra de ouro.

O processo so perde razão de ser, após aberto, se o réu renunciar. Mesmo assim os autos devem ser remetidos ao Ministério Público e à polícia, se for o caso.

Como em Brasilia Roriz era o líder de uma extensa máfia, que envolve deputados como Pedro Passos, empresário do ramo da grilagem de terras públicas, que começou na vida pública com o escândalo de uma  gravação telefônica, sobre rolo de terra no Lago Sul.

Ouça trechos da fita, na barra lateral à sua direita. 

Quase fez Roriz perder eleição em 2002 (ganhou no tapetinho com apenas 1% dos votos de diferença, vê se pode) mas se elegeu o último deputado.

Mês passado estreou na carceragem da Polícia Federal, agora por rolo com emendas superfaturadas para a Gautama.

Com esse tipo de amizade, fica difícil imaginar o coronel do cerrado sendo salvo por algum amigo milagreiro nesta altura da vida de choradeira e boi de milhão.

 http://www.blogdojoao.com !  http://joaoarnolfo.blog.com ! http://www.viaecologica.comhttp://religiao.blog.com

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Wednesday, June 27, 2007

Roriz quebrou o decoro parlamentar e será levado ao Conselho de Ética

A suspeita de corrupção contra o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), que insiste em não renunciar, pode ser ofuscada pelo tamanho do escândalo que está pronto para ser servido na mídia: o caso do senador Joaquim Roriz, ex-governador do DF por três mandatos não consecutivos.

Como ex-delegado da Policia Federal, o senador Romeu Tuma (Dem-SP) foi claríssimo hoje:

-O caso dele (Roriz) é seim de quebra do decoro parlamentar, não há dúvida - disse Tuma.

Nunca se viu na história um diálogo tão claramente auto incriminatório como aqueles que as emissoras estão mostrando entre já senador Roriz e o presidente do Banco Regional de Brasilia, um dos únicos não privatizados na fase do ajuste da economia basileira há uma década.

Agora, quando começa a cair assim, todo mundo em volta dá uma mão e apressa o processo.

O próximo passo será o protocolo do pedido de abertrura de inquérito no Conselho de Ética contra Roriz, feito pelo PSoL, provavelmente na tarde de quinta ou sexta-feira.

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