Wednesday, September 12, 2007

Quarenta senadores absolvem Renan Calheiros

Renan Calheiros vai responder a mais três processos.

Ele acaba de ser absolvido por 40 senadores - incluindo o PT.

Houve 35 votos pela cassação e 6 abstenções - ou seja, ele não conseguirá presidir o Senado facilmente.

Nada indica que ele vá renunciar.

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Saturday, August 18, 2007

Veja do fim de semana diz que para Renan agora só falta a degola: quem será presidente do Senado?

Você já notou que nem damos mais notícia do desenrolar das investigações do delegado-senador Romeu Tuma (DEM-SP) na República das Alagoas?

Depois da onça morta cachorro mija em cima, dizia meu avô Arnolfo.

De maneiras que nem precisa mais dizer que Renan Calheiros é caso de coveiro há muito tempo, teve foi muita sorte de eclodir a crise financeira global neste momento.

Mas o conselho de ética vai denunciar o amigo de Fernando Collor e inimigo da Heloisa Helena, levando o plenário a cassá-lo já que não pode mais renunciar ao mandato - no máximo pode deixar o cargo de presidente do Senado (e do Congresso, onde Fernando Gabeira já disse que ele não põe o pé).

Há pouco o Blogão do Noblat, pioneiro do blogjornalismo no Brasil, já recebeu mais cedo do companheiro Patury, da Veja.

O Bloguinho do João aqui, ó, só recebeu depois que o sol raiou…

Mas vai lá, a Veja do fim de semana que você verá nas bancas daqui a pouco, mostrando o que será de Renan, o persistente:  

Caso Renan

Só falta a degola

Resultado da perícia feita pela Polícia Federal demole a defesa de Renan e mostra que ele mentiu e deu papéis falsos aos senadores

Por Otávio Cabral na VEJA deste fim de semana:

“A Polícia Federal encaminha ainda nesta semana ao Conselho de Ética os resultados da perícia feita nos documentos apresentados pelo senador Renan Calheiros. O material examinado demole o frágil mas alardeado álibi do senador, com o qual ele queria demonstrar ter os recursos financeiros necessários para pagar suas despesas pessoais sem ter de recorrer aos préstimos de um lobista de empreiteira. As conclusões da polícia são devastadoras para Renan. Os peritos concluíram que não há evidência de que os recursos para pagar a pensão alimentícia da filha do senador saíram das suas contas bancárias.

Aos olhos da polícia, a documentação apresentada fica aquém de comprovar a origem da fortuna de Renan Calheiros e não confirma sua alegada arrecadação de 1,9 milhão de reais com a venda de bois. Entre os papéis de defesa do senador, segundo a polícia, há notas fiscais frias, recibos falsos e comprovantes de transações com empresas fantasmas. A perícia era a única peça de convencimento que faltava para o conselho concluir o relatório final e pedir a cassação de Renan Calheiros por quebra de decoro parlamentar. Não falta mais nada.

Na semana passada, dois dos relatores do caso Renan Calheiros no Conselho de Ética, Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), estiveram na sede da Polícia Federal, em Brasília. Reuniram-se reservadamente com Clênio Guimarães Belluco, diretor do Instituto Nacional de Criminalística, e com peritos que analisaram os documentos de Renan. Ouviram dos peritos que não há conexão entre as datas dos pagamentos de pensão feitos à jornalista Mônica Veloso, mãe da filha de Renan, e os saques na conta do senador. Ouviram que os documentos apresentados por Renan para justificar sua fortuna agropecuária não são idôneos, por envolver empresas e funcionários fantasmas e notas fiscais frias.

Ouviram finalmente que há dúvidas até se o presidente do Congresso foi realmente dono do milionário rebanho bovino que diz ter vendido a frigoríficos que não existem. Depois da reunião na Polícia Federal, um dos relatores resumiu assim o pensamento dele e dos colegas do Conselho de Ética: “Apresentar documentos falsos aos pares do Senado é uma clara quebra de decoro parlamentar. Usar um lobista para pagar despesas pessoais é uma clara quebra de decoro parlamentar. A única possibilidade é pedir a cassação de Renan”.

O laudo técnico confirma um relatório preliminar feito pela própria PF no fim de junho. Ele foi dividido em quatro partes. Na primeira, são apresentadas a estrutura do trabalho e as questões levantadas pela perícia. Na segunda, faz-se um histórico do primeiro laudo e detalha-se seu cruzamento com o segundo. Na terceira parte, listam-se os documentos analisados. Por fim, os peritos dão resposta técnica a cada uma das trinta perguntas feitas pelo Conselho de Ética sobre as negociações de gado do presidente do Senado. Dois terços das respostas são fatais para a defesa de Renan e envergonhariam qualquer cidadão honesto.

Depois de tomarem conhecimento das informações periciais, os senadores encarregados de determinar o futuro do processo em curso contra Renan descrevem como iminente o desenlace do caso. Até o senador Almeida Lima, do PMDB, terceiro relator do caso, nomeado com o claro propósito de garantir a absolvição de Renan, já aceita a tese da punição do aliado. Almeida Lima gostaria de circunscrever a punição a uma advertência, mas deve ser levado a aceitar o pedido de suspensão de mandato. O próprio senador já dá como certa a aprovação do relatório com o pedido de sua cassação na votação do Conselho de Ética. Renan aposta tudo agora na votação em plenário, em que o voto secreto permitiria a seus simpatizantes salvar-lhe o pescoço sem se expor ao escárnio público”.

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Wednesday, August 8, 2007

Após Supremo quebrar sigilo de Renan, Lula tira apoio e queda do clã Calheiros é só questão de tempo

Sob o título “Devassa nas contas de Renan”, o Correio Braziliense - principal jornal da capital federal, que na política costuma servir de pauta aos demais jornalões por trazer o feeling dos bastidores do poder - de hoje é um verdadeiro Requiem in Pace para o novo-rico das Alagoas e sua troupe.

Por quê será que Alagoas, que teve a vergonha de ver Fernando Collor de Mello sair pelas portas do fundo do Palácio do Planalto em 1992, agora tem outra crise dessas com Renan e Olavao Calheiros (e dezenas de ramificações locais) sendo cassados da vida política nacional?

Pour quoi? Why? Warum?

Por que Alagoas? O que tem isso a ver com os canaviais de antigamente, a destruição da Mata Atlântica, os escravos dos grandes engenhos, a degração socioambiental do passado ainda não de todo superado.

Mas o que tem isso a ver com uma familia pobre de Murici, interior do estado, que pegou carona na queda de Collor e emergiu?

Os Calheiros são os Collor de quinze anos depois… versão empobrecida, you know.

Indicando o rumo das coisas na politica, a capa do Correio, nos dias de crise nacional, costuma ser um bom retrato do nosso país. Com foto de Daniel Ferreira, a chamada (com a legendinha) de primeira página do CB de hoje é a seguinte:  

     
“O Supremo Tribunal Federal determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário,desde 2000, do presidente do Congresso. O objetivo é saber se Renan Calheiros teve despesas pessoais pagas por um lobista de empreiteira. No Senado, diante de outro revés — a decisão do Conselho de Ética de abrir novo processo, agora para investigar denúncia envolvendo a cervejaria Schincariol —, Renan reagiu com ameaçase bateu boca com o líder do DEM, José Agripino. Diante da reação dos oposicionistas, que prometem travar as votações se Renan não se afastar da presidência da Casa, o governo já admite reavaliar o apoio ao parlamentar alagoano.”

Fotolegenda: Crepúsculo político: Antes incensado na Casa, Renan enfrenta agora o constrangimento de ser ignorado até mesmo ao tentar apertar a mão de colegas, como o democrata Heráclito Fortes
  

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Thursday, July 26, 2007

Renan aparece na tv de Collor e diz que não é Severino Cavalcanti

Renan Calheiros e comitê de crise pensavam em aproveitar o recesso, o PAM (e até o desastre da TAM “ajudou”, no caso) para submergir e esperar a midia esquecer. 

Mas teve foi que providenciar uma ofensiva publicitária de emergência para responder à confirmação oficial da denúncia da Globo de que pelo 2 das firmas que ele aponta como compradoras de carne em Alagoas são de fachada, pelas novas perícias do próprio Senado em busca de dados para a Polícia Federal.

Carlos de Lanoy, garra de repórter novo, já tinha mostrado isso no Jornal Nacional mês passado - foi lá conferir e viu de perto como são falsos os bois de ouro do senador.

Aliás, Paulo Lacerda, da Federal, mandou avisar que no maximo em 10 dias “sai alguma coisa”, mas o prazo mesmo para responder ao pedido de nova perícia vai até 15 de agosto.

Ou seja: caso Renan só andará na segunda metade de agosto.

Ontem o senador  foi ao programa Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta, repetidora da Rede Globo e controlada pelo senador Fernando Collor (PTB-AL).

Gustavo Krieger escreve hoje no Correio Braziliense que  Renan e Collor mantêm “boas relações políticas”.

Isso inclusive explica muita coisa que vinha acontecendo na Mesa do Senado ultimamente: ninguém conseguia explicar porque o presidente do Senado não atendia desde abril o pedido da Frente Ambientalista Parlamentar, com 300 deputados e senadores coordenados por Zequinha Sarney (PV-MA), para que fosse convocada sessão conjunta para ouvir o ex-quase futuro presidente americano Al Gore, no Congresso.

É que o convite da Frente atrapalhou outro que vinha sendo anunciado pelo recém eleito senador Fernando Collor, que achava que os marketeiros de Gore deixariam que ele viesse ao Brasil a seu convite, para aparecer ao lado da imagem negativa que o ex-presidente alagoano carrega (já reparou que ninguem gosta de sair em foto ao lado dele e de Maluf, por exemplo?).

“Deixa ele, ele já pagou seus crimes nestes oito anos de ostracismo”, tentou contemporizar o companheiro Zequinha, filho do ex-presidente José Sarney, tido até pouco tempo como aliado de Renan.

Collor voltou mais maduro, menos arrogante, mas além de uma plástica para o povão esquecer sua imagem seria bom fazer algo no plano, digamos, mágico- espiritual -  para tentar um dia  recuperar credibilidade fora de seu curral eleitoral, que parece ser o mesmo de Renan: o povo pobre e sem estudo do estado que os donos de engenho e usineiros da cana-de-açucar empobreceram social e ambientalmente desde os primeiros anos da chegada dos portugueses, cinco séculos atrás. 

Outro conflito de Renan com os verdes: ele vem acusando o golpe desferido por Fernando Gabeira (PV-RJ), que recentemente apareceu em pesquisa da Veja como o único deputado que integra uma roda de cinco ou seis parlamentares influentes que a população vê como realmente honestos e éticos (os outros todos são senadores).

E Gabeira prometeu ontem voltar à carga contra o presidente do Senado que “não quer largar o osso”, junto com seus amigos radicais do PSoL e aliados de ultima hora dos partidões de oposição (DEM e PSDB).

A versão de Renan: a crise no Senado seria artificial e Gabeira e o PSoL erram ao confundi-lo com o ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou depois de ser acusado em plenário de corrupto por Fernando Gabeira, em cena histórica

“As pessoas pensaram que estavam diante de um fato consumado e de uma pessoa vulnerável, um novo ‘Severino’, mas erraram completamente. Em nome da minha dignidade vou resistir até a última hora” - promete o presidente que já não preside o Congresso mas acredita o contrário.

Enfim, o fantasma de Severino colou em Renan e não vai largá-lo enquanto ele não deixar pelo menos a cadeira de presidente do Senado.

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Nelson Jobim assume Ministério da Defesa com força no Congresso

Antigo líder do PMDB ético de Ulysses Guimarães, eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul e peça-cahve na derrubada de Fernando Collor em 1992, o novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, parece que está agradando a gregos e goianos aqui no Congresso.

Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) pode até vir a ser o líder da bancada de Jobim na Câmara, onde o  ex-presidente do Suoremo Tribunal Federal (STF) ainda tem muitos amigos entre os nobres juristas da Casa.

Na posse, de surpresa,  o presidente Lula pediu a Jobim, ex-professor de Direito Constitucional da Universidade de Santa Maria (RS), que usasse “todas as suas forças” para fazer as mudanças que precisam ser feitas no Ministério da Defesa.

Lula só não disse que mudanças - é para tirar o serviço de controle de vôo da Aeronáutica ou é para comprar um novo porta-aviões para servir de aeroporo em algum lugar?

Jobim deve ter pensado mas não disse: este ministério nunca existiu, continua havendo os sub-ministros das três forças armadas em torno do ético e cansado Waldyr Pires, sem forças para salvar a si próprio das agruras da própria vida familiar, quanto mais cuidar da defesa da vida alheia nesta altura do campeonato em que se vão para o beleléu na base de 200 almas por vez como em Congonhas.

Lula admitiu que ha uma crise provocada pelo acidente com o Airbus 320 da TAM e que este é um momento de dor nacional, mas que deve ser aproveitado para “fazer definitivamente o que tem de ser feito no Brasil”:

“O Ministério da Defesa, tal como está, está aquém das exigências da sociedade brasileira”, admitiu Lula. “Precisamos de um ministério com a força suficiente para fazer as mudanças que precisam ser feitas”.

Ainda na cerimônia de posse, Lula deu  ao novo ministro uma missão:

- ”Eu queria lhe pedir, Nelson, já como o primeiro compromisso. Amanhã é a transferência de cargo, e, depois da transferência de cargo, eu acho que você deveria ir com o brigadeiro Juniti Saito (Comandante da Aeronáutica) ao Aeroporto de Congonhas”.

Também pediu que fosse visitar o “hospital onde está se fazendo o estudo de DNA; e que a gente assumisse o compromisso não apenas de resolver o problema aéreo brasileiro, mas sim dar uma resposta contundente à sociedade brasileira”. Segundo Lula, “não tem resposta de curtíssimo prazo, tem medidas que podem ser feitas amanhã e outras são de longo prazo”.

Ministro vai lá sexta-feira, pelo que deu há pouco a Agência Brasil.

Lula quase soltou outra mas se conteve a tempo, ao comparar a sorte do novo ministro, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal,  com a falta de sorte de Waldyr Pires nos ultimos tempos:

- ”Nelson, você vai ter mais sorte do que o Waldir porque nós agora vamos brigar muito mais para o Guido Mantega (Fazenda) ser mais flexível e para o Paulo Bernardo (Planejamento) ser mais flexível. Não apenas por causa da tragédia. É porque ao longo dessa crise nós fomos descobrindo falhas e que nós precisamos corrigir”.

Lulinha é incorrigível, mas deu uma dentro ao nomear Jobim: afastou-se rapidamente do PMDB menos ético de Renan Calheiros e Joaquim Roriz, em queda livre rumo à lixeira da história,  para se aproximar agora da ala dos peemedebistas do bem -  simbolizados pelo senador Pedro Simon, não por acaso também do Rio Grande, tchê. 

Mesmo porque o outro PMDB que sobra no poder, o do ex-presidente Sarney Filho, é muito singular e está engajado nestes movimentos do tabuleiro de xadrex do ministério Lula: Roseana é  líder de fato do governo no Senado, e como tal estaria encarregada de impedir que um Being defeituoso chamado Renan deslize e vire na pista enssaboada ao aterrissar no plenário em agosto ou setembro.

Vai ser dificil, ja cansaram de avisar à ex-governadora.

 

 
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Sunday, July 15, 2007

Nem a Veja tem mais novidades sobre os Calheiros - e precisa?

Matéria da Veja deste fim de semana não tem novidade mas este fato em sim já ajuda a avaliar as consequências do impasse com o presidente ainda do Senado que já não preside mais o Congresso…

Virou um daqueles tristes casos que as limpadoras contam, de alma penada vagando de noite pelos subterrâneos do Palácio do Congresso…

Se estivesse seguro da inocência - jamais recebeu dinheiro da Schincariol ou da Mendes Júnior? - já poderia ter se afastado numa boa e esperado as conclusões do conselho de ética, onde poderia perder mas depois ganharia (ja não ganha mais) no voto secreto do plenário com congrole governista.

Mas não, até o governo o abandona rapidamente, ele mesmo mostra que sabe que o fim está próximo: nem o garçon fica à vontade lhe servindo cafezinho. 

Com fotos dos amigos Andre Dusek/AE e  Lula Marques/Folha, vamos à matéria da VEJA na retranca Brasil:

O senador agoniza em público…

…mas insiste em ficar no cargo, paralisando
o Senado e expondo a instituição ao descrédito.  

O deputado Olavo (à direita) e o senador Renan (acima), irmãos enrolados com venda suspeita de fabriqueta de refrigerantes à cervejaria Schincariol

Otávio Cabral

Desde os tempos em que os senadores eram escolhidos pelo imperador e precisavam ter renda superior a 800.000 réis por ano, o Senado nunca viveu uma crise como a provocada pelo Renangate. Criada há mais de 180 anos, a Casa já passou por maus bocados, desde seu fechamento pela ditadura militar, em 1968, até o assassinato a bala de um senador por outro dentro do plenário, mas nunca ficou paralisada pela mera presença de seu presidente na cadeira de presidente. Nem mesmo no escândalo que resultou na renúncia do ex-senador Jader Barbalho. Na semana passada, com a divulgação da mais recente novidade, segundo a qual o senador Renan Calheiros prestou favores à Schincariol depois que a cervejaria comprou uma fabriqueta de sua família por um preço astronômico, a situação chegou ao seu ponto mais crítico até agora – e Calheiros passou a agonizar em público.

Na terça-feira, o senador, enquanto presidia a sessão, bateu boca com o tucano Arthur Virgílio e chegou a socar a mesa: “Se quiserem a minha cadeira, vão ter de sujar as mãos”. No dia seguinte, Calheiros esquivou-se de comandar uma sessão conjunta do Congresso para fugir do protesto preparado pelos deputados. Eles iriam distribuir 100 cartões vermelhos aos colegas, que os levantariam na sessão pedindo o afastamento do senador. Na quinta-feira, senadores de cinco partidos deixaram o plenário em protesto contra manobras patrocinadas pelo presidente Calheiros para proteger o réu Calheiros no processo em que é acusado de manter relações promíscuas com o lobista de uma empreiteira. “Essa crise gera um embaraço inédito para a instituição por atingir um presidente que é processado no exercício do cargo e usa o cargo a seu favor”, diz o cientista político e historiador Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB).

A situação de Renan Calheiros é patética. Não pode presidir uma sessão do Senado, e nega que haja crise no Senado. Não tem saído de sua residência oficial, localizada no Lago Sul, em Brasília, porque sua aparição em público pode provocar constrangimentos. Também não vai a Alagoas, seu estado natal, com receio de atrair manifestações de repúdio. No Senado, sua situação é de crescente isolamento – físico até. Antes, seu gabinete era o mais movimentado da Casa, com parlamentares entrando e saindo constantemente. Agora, só é freqüentado por seus mais fiéis defensores. Nem o PMDB, seu partido, lhe tem estendido a mão. Na semana passada, Calheiros pediu ao presidente do partido, deputado Michel Temer, o lançamento de uma nota oficial em seu apoio. Disse-lhe Temer: “Não dá mais, Renan. Seu caso não é jurídico. O seu problema é a falta de condições políticas”.

Desde o fim de maio, Renan Calheiros enfrenta uma crise pessoal que insiste em misturar com o Senado – e, agora, ela começa a transbordar para sua família. Seu irmão, o deputado Olavo Calheiros, que vendeu por 27 milhões de reais a fábrica de refrigerantes da família que não valia mais que 10 milhões de reais, está sob o risco de sofrer uma investigação na Câmara. O PSOL – sempre o PSOL – pedirá a abertura de um processo para apurar o negócio. Há a suspeita de que o valor espetacular obtido na venda da fábrica tenha sido pagamento por tráfico de influência dos irmãos Calheiros em favor da Schincariol. Será uma investigação importante também para entender como o deputado Olavo Calheiros enriqueceu tão depressa. Em 1998, seu patrimônio declarado era de apenas 95.000 reais. Quatro anos depois, já chegava a 2,8 milhões. No ano passado, batia em 4 milhões de reais.

O deputado Calheiros, embora numa situação muito mais confortável que a do irmão, pelo menos por enquanto, também anda sumido. Sua única aparição na semana passada aconteceu no ato de desagravo a Renan Calheiros. O ato deveria ser um jantar na churrascaria mais badalada de Brasília, mas o receio – mais uma vez – de que a presença de Renan Calheiros atraísse protestos levou os organizadores a escolher um discreto restaurante às margens do Lago Paranoá. No jantar, o senador anunciou que aproveitaria o recesso parlamentar para visitar seu reduto eleitoral, mas foi desaconselhado. Seria difícil encarar os passageiros do avião e os protestos que estavam sendo organizados em Maceió. Renan Calheiros desistiu. Ao jantar em sua homenagem compareceram 57 prefeitos de Alagoas. A previsão era que aparecessem oitenta. Como se vê, já tem até prefeito do interior que não quer ser fotografado ao lado do senador Renan Calheiros. Sinais do fim

Posted by Joao Arnolfo at 11:58:34 | Permalink | No Comments »

Friday, July 13, 2007

Renan aposta no voto secreto do plenário para entrar agosto sem ser cassado

A mais objetiva análise de notícia publicada nesta sexta-feira 13 é do jornalista Gustavo Krieger, no Correio Braziliense: