Com o apoio de outros parlamentares, como o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), o Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL) entrou no final da tarde com nova representação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). 
Desta vez, pedem que sejam investigadas as relações da família Calheiros com a cervejaria Schincariol, conforme matéria publicada pela revista Veja, em 11 de julho, e ainda as denúncias a respeito de uma suposta apropriação ilegal de área rural em Murici (AL).
- É uma solicitação de abertura de procedimento investigatório para avaliar indícios relevantes de crime contra a administração pública, tráfico de influência, intermediação de interesse privado, exploração de prestígio e abuso das prerrogativas asseguradas aos parlamentares em várias áreas - disse à Agência Senado a presidente do PSOL, ex-senadora Heloísa Helena, que protocolou a representação na Secretaria Geral da Mesa.
“Tivemos mesmo que recomeçar a carga contra o Renan, não teve outro jeito, não larga o osso” - lamentou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que trabalhou no recesso no acompanhamento do caso no Senado e na CPI do Apagão Aéreo.
Luciana Genro, Ivan Valente (PSoL), Gabeira e outros “éticos” estiveram no analisando durante julho os aspectos regimentais e jurídicos da situação de Renan, preocupados com a ampliação da crise politica na retomada dos trabalhos legislativos se não houver uma definição clara sobre a cassação do presidente do Senado.
Na fila do conselho de ética, chamado pelos jornalistas de corredor da morte, já está o senador Gim Argello (PTB-DF), que teve a coragem de assumir um dia antes do recessso, claro, para tentar não chamar a atenção da mídia já está sob investigação do corregedor Romeu Tuma (DEM-SP).
Na Câmara, o PSoL está pedindo a investigação da denúncia de que o deputado Paulo Magalhães (DEM-BA) teria recebido R$ 20 mil da construtora Gautama, do escândalo da Operação Navalha, da Polícia Federal.
Pode dar cassação também.
Hoje na volta do recesso, a Câmara promoveu sessão de homenagem a dois deputados que morreram no recesso de 15 dias (um deles no acidente de Congonhas, o outro de doença pulmonar).
Amanhã cedo começa a votar medidas provisórias, para variar.
No Senado a pauta a pauta está trancada pela Medida Provisória 366 - aquela pela qual o Governo Lula subdividiu o Ibama, para criar o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade.
Os funcionários do Ibama, contrários à divisão sem estudos, prometeram voltar à greve assim que o Senado voltasse a trabalhar. A matéria já foi aprovada na Câmara numa primeira votação, se fosse aprovada pelo Senado sem alterações iria direto par sanção presidencial. Se houver modificação, volta para a Câmara e Senado novamente.
Só que o Senado não consegue voltar a trabalhar de verdade mesmo tão cedo. Com o presidente da Casa acuado como está o senador Renan Calheiros, será praticamente impossível chegar a consenso para se colocar em pauta e votar a MP 366 - a menos que o Governo corra o risco de perder no plenário, onde tem maioria mais folgada do que na Câmara.
Se e quando for destrancada a pauta, o Senado tem que tratar rapidamente de matérias da área econômica como a questão da prorrogação da CPMF e a desvinculação das receitas da União (DRU), essencial para o controle das contas públicas e o equilibrio fiscal que mantém a inflação baixa.
Enfim, se não houver uma solução rápida a crise de Renan contaminará o Congresso e paralisará o governo.