Sunday, July 15, 2007

Nem a Veja tem mais novidades sobre os Calheiros - e precisa?

Matéria da Veja deste fim de semana não tem novidade mas este fato em sim já ajuda a avaliar as consequências do impasse com o presidente ainda do Senado que já não preside mais o Congresso…

Virou um daqueles tristes casos que as limpadoras contam, de alma penada vagando de noite pelos subterrâneos do Palácio do Congresso…

Se estivesse seguro da inocência - jamais recebeu dinheiro da Schincariol ou da Mendes Júnior? - já poderia ter se afastado numa boa e esperado as conclusões do conselho de ética, onde poderia perder mas depois ganharia (ja não ganha mais) no voto secreto do plenário com congrole governista.

Mas não, até o governo o abandona rapidamente, ele mesmo mostra que sabe que o fim está próximo: nem o garçon fica à vontade lhe servindo cafezinho. 

Com fotos dos amigos Andre Dusek/AE e  Lula Marques/Folha, vamos à matéria da VEJA na retranca Brasil:

O senador agoniza em público…

…mas insiste em ficar no cargo, paralisando
o Senado e expondo a instituição ao descrédito.  

O deputado Olavo (à direita) e o senador Renan (acima), irmãos enrolados com venda suspeita de fabriqueta de refrigerantes à cervejaria Schincariol

Otávio Cabral

Desde os tempos em que os senadores eram escolhidos pelo imperador e precisavam ter renda superior a 800.000 réis por ano, o Senado nunca viveu uma crise como a provocada pelo Renangate. Criada há mais de 180 anos, a Casa já passou por maus bocados, desde seu fechamento pela ditadura militar, em 1968, até o assassinato a bala de um senador por outro dentro do plenário, mas nunca ficou paralisada pela mera presença de seu presidente na cadeira de presidente. Nem mesmo no escândalo que resultou na renúncia do ex-senador Jader Barbalho. Na semana passada, com a divulgação da mais recente novidade, segundo a qual o senador Renan Calheiros prestou favores à Schincariol depois que a cervejaria comprou uma fabriqueta de sua família por um preço astronômico, a situação chegou ao seu ponto mais crítico até agora – e Calheiros passou a agonizar em público.

Na terça-feira, o senador, enquanto presidia a sessão, bateu boca com o tucano Arthur Virgílio e chegou a socar a mesa: “Se quiserem a minha cadeira, vão ter de sujar as mãos”. No dia seguinte, Calheiros esquivou-se de comandar uma sessão conjunta do Congresso para fugir do protesto preparado pelos deputados. Eles iriam distribuir 100 cartões vermelhos aos colegas, que os levantariam na sessão pedindo o afastamento do senador. Na quinta-feira, senadores de cinco partidos deixaram o plenário em protesto contra manobras patrocinadas pelo presidente Calheiros para proteger o réu Calheiros no processo em que é acusado de manter relações promíscuas com o lobista de uma empreiteira. “Essa crise gera um embaraço inédito para a instituição por atingir um presidente que é processado no exercício do cargo e usa o cargo a seu favor”, diz o cientista político e historiador Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB).

A situação de Renan Calheiros é patética. Não pode presidir uma sessão do Senado, e nega que haja crise no Senado. Não tem saído de sua residência oficial, localizada no Lago Sul, em Brasília, porque sua aparição em público pode provocar constrangimentos. Também não vai a Alagoas, seu estado natal, com receio de atrair manifestações de repúdio. No Senado, sua situação é de crescente isolamento – físico até. Antes, seu gabinete era o mais movimentado da Casa, com parlamentares entrando e saindo constantemente. Agora, só é freqüentado por seus mais fiéis defensores. Nem o PMDB, seu partido, lhe tem estendido a mão. Na semana passada, Calheiros pediu ao presidente do partido, deputado Michel Temer, o lançamento de uma nota oficial em seu apoio. Disse-lhe Temer: “Não dá mais, Renan. Seu caso não é jurídico. O seu problema é a falta de condições políticas”.

Desde o fim de maio, Renan Calheiros enfrenta uma crise pessoal que insiste em misturar com o Senado – e, agora, ela começa a transbordar para sua família. Seu irmão, o deputado Olavo Calheiros, que vendeu por 27 milhões de reais a fábrica de refrigerantes da família que não valia mais que 10 milhões de reais, está sob o risco de sofrer uma investigação na Câmara. O PSOL – sempre o PSOL – pedirá a abertura de um processo para apurar o negócio. Há a suspeita de que o valor espetacular obtido na venda da fábrica tenha sido pagamento por tráfico de influência dos irmãos Calheiros em favor da Schincariol. Será uma investigação importante também para entender como o deputado Olavo Calheiros enriqueceu tão depressa. Em 1998, seu patrimônio declarado era de apenas 95.000 reais. Quatro anos depois, já chegava a 2,8 milhões. No ano passado, batia em 4 milhões de reais.

O deputado Calheiros, embora numa situação muito mais confortável que a do irmão, pelo menos por enquanto, também anda sumido. Sua única aparição na semana passada aconteceu no ato de desagravo a Renan Calheiros. O ato deveria ser um jantar na churrascaria mais badalada de Brasília, mas o receio – mais uma vez – de que a presença de Renan Calheiros atraísse protestos levou os organizadores a escolher um discreto restaurante às margens do Lago Paranoá. No jantar, o senador anunciou que aproveitaria o recesso parlamentar para visitar seu reduto eleitoral, mas foi desaconselhado. Seria difícil encarar os passageiros do avião e os protestos que estavam sendo organizados em Maceió. Renan Calheiros desistiu. Ao jantar em sua homenagem compareceram 57 prefeitos de Alagoas. A previsão era que aparecessem oitenta. Como se vê, já tem até prefeito do interior que não quer ser fotografado ao lado do senador Renan Calheiros. Sinais do fim

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Saturday, July 7, 2007

Gravação complica a situação de Gim, que traiu Roriz, que virou inimigo de ex-ministro do Supremo, que agora é advogado de Gim

Veja a capa  do Correio de hoje, em PDF:

http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20070707/fotos/capa.pdf

Vale a pena dar uma ampliada (zoom in) e ver as chamadas. Este jornal - não é porque comecei como foca lá não - já ganhou muitos prêmiso de melhor programação gráfica, melhor primeira página etc.

E esta, é histórica: é o fim da Era Roriz, levando de roldão toda a elite da direita rorizista que cria cavalos mode lavar dinheiro, frequenta a alta cúpula da Igreja Católica ou então é da Sara Nossa Terra, tem casa em Fort Lauderdale, vem de Goiás, Minas… São selfmade nem sempre feitos de maneira politicamente correnta (Roriz detonou o rio Corumbá desde rapaz até velho, com a represa da especulação IV, Nenem ajudou a acabar com o cerrado de Patrocinio, Wigberto Tartuce detonou com a ética e os bons costumes nos negócios desde que era da Encol falida).

Detalhe que chamo atenção na página é a informação contida na charge do companheiro Kássio -c omeçou menino levando bronca do Edu K. Brito e hoje é mestre.

PS -Ah, sim, falei do meio (que é a mensagem) e você vê que a mensagem é o meio também neste caso. São as ingrigas do poder em Brasilia, federal com local e regional dá nesse caldo de fervura constante.

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Tuesday, July 3, 2007

Câmara avança devagar na reforma, Senado começa a parar…

Apesar da grande crise no Senado, parece estar surgindo na Câmara o que parece ser um novo acordo em torno da reforma política.

Em reunião bastante agitada, os líderes partidários não conseguiram chegar a acordo para retomar a votação hoje da reforma política. Vão se reunir novamente amanhã antes da ordem do dia.

A questão ética, desencadeada pelos escândalos no Senado, está atrapalhando os entendimentos sobre a reforma, pois criou-se um clima de desconfiança e animosidade.

O vice-líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), garante que amanhã a reforma política terá alguns itens votados no plenário da Câmara, porque teria havido um aumento no número de partidos e de parlamentares que apóiam as propostas após a derrota da lista fechada.

O teto para os limites dos gastos nas campanhas proporcionais, por exemplo, será calculado com uma pequena redução sobre o valor médio de gastos dos candidatos em determinado estado, informou o líder do governo à Agência Câmara. 

Em relação à fidelidade partidária, deve ser estabelecido um período mínimo de três anos após a eleição. Depois disso, seria aberto um prazo de aproximadamente 30 dias, para que os eleitos pudessem trocar de partido, se fosse o caso.

Pelo regimento, o substitutivo do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) ao Projeto de Lei 1210/07 terá de ser derrubado e a emenda, com os demais pontos da reforma política, sem as listas partidárias, será colocada em votação.

Só falta combinar com o outro lado - no caso, os que estão defendendo os senadores do PMDB que estão sendo fritos em fogo alto pela midia: Renan, Roriz e Quintanilha.

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Saturday, June 30, 2007

Matéria da Veja apressa o fim da Era Roriz no Distrito Federal

A matéria da edição da Veja que começou a circular hoje, com data de 4/7/07, entrerra o senador Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal, mais rapidamente do que o presidente do Senado Renan Calheiros, em primeiro lugar na lista de pedidos de investigação em tramitação no conselho de ética.

O novo presidente do conselho de ética do Senado está sendo escolhido neste fim de semana, já que Leomar Quintalinha está mais manchado no noticiário do que puleiro de galinha, como se diz em Goiás, de onde ele foi pro Tocantins. 

 Leia a íntegra da matéria da Veja sobre o coronel do centro-oeste, Joaquim Roriz: 

O dinheiro era para subornar

Joaquim Roriz usou dinheiro de Nenê Constantino para pagar propina a juízes

Por Diego Escosteguy:

O senador Joaquim Roriz, flagrado em uma conversa telefônica combinando a partilha de 2,2 milhões de reais, finalmente subiu à tribuna para explicar-se na semana passada. Com um discurso pronunciado à semelhança de Odorico Paraguaçu, o inesquecível personagem de folhetim que encarnava o aspecto folclórico da política, Joaquim Roriz repetiu o que dissera antes – só que, da tribuna, adicionou algumas lágrimas e muita retórica. “Quem em sua vida nunca pediu um empréstimo a um amigo?”, disse. “Será que um senador não poderia pedir um empréstimo a um amigo de longa data?”, repetiu. “Imaginem se pedir dinheiro emprestado é falta de decoro. Meu Deus! A que ponto chegamos?” No discurso, Roriz disse que pediu 300.000 reais ao seu amigo e empresário Nenê Constantino, dono da Gol Linhas Aéreas, para pagar uma bezerra. Constantino entregou um cheque de 2,2 milhões, Roriz sacou o dinheiro, reteve 300.000 reais e devolveu o restante, 1,9 milhão, ao empresário. A novidade é que, se parte do dinheiro foi mesmo usada para pagar uma bezerra, outra parte teve destino explosivo – serviu para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral que livraram Roriz de cassação em 2006.

Na semana passada, VEJA conversou com um político que priva da intimidade do senador e que ouviu a confissão do pagamento da propina do próprio senador – e não de terceiros. Ele conta que, no começo de fevereiro passado, Joaquim Roriz recebeu seu suplente, o ex-deputado distrital Gim Argello, em sua casa. Conversaram sobre os boatos de que a decisão pró-Roriz do TRE teria sido comprada. A certa altura, travou-se o seguinte diálogo:

Argello – O Agnelo (refere-se a Agnelo Queiroz, ex-ministro e candidato derrotado ao Senado) me disse que a decisão foi comprada. É isso mesmo?

Roriz – É isso mesmo. Achei que o processo não ia dar em nada, mas tivemos de resolver. Tivemos de comprar dois.

Conforme o relato do político que detalhou o assunto a VEJA sob a condição de manter-se anônimo, “comprar dois” significa subornar dois juízes do TRE. Na mesma conversa, Roriz lembrou ao interlocutor que o mandato de senador também lhe pertencia. “O mandato também é seu, você precisa me ajudar”, apelou. “Tem de levantar 1,2 milhão”, detalhou. Roriz não explicou se 1,2 milhão de reais era o valor total da propina dos dois juízes ou se era a parte que faltava pagar. A solução não demorou a surgir. No dia 13 de março, conforme aparece no diálogo telefônico capturado pela polícia, Roriz descontou o cheque de 2,2 milhões de Nenê Constantino e, sabe-se agora, repassou pelo menos 1,2 milhão aos juízes subornados. Isso explica por que, na conversa grampeada, Roriz se recusa a receber o dinheiro em sua própria casa, num carro-forte, e explica que a partilha dos recursos envolve outras pessoas. “O dinheiro é de muita gente”, diz ele.

O caso que livrou Roriz da cassação foi julgado em 23 de outubro, mas começou no dia 19 de setembro, quando o Ministério Público o acusou de uso político da máquina pública do governo do Distrito Federal. Na época, Roriz deixara o cargo de governador para concorrer ao Senado, e a estatal de abastecimento de água, a Caesb, mudara em propagandas seu número de atendimento telefônico de 115 para 151 – número de Roriz nas urnas. O placar do julgamento no TRE estava em 3 a 2 contra Roriz. Um juiz pediu vistas e, dias depois, quando a sessão foi retomada, votou a favor de Roriz, cravando um empate em 3 a 3. Antes que o presidente do tribunal desse seu voto de Minerva, um dos juízes que votaram contra Roriz subitamente mudou de idéia. Com isso, Roriz livrou-se da cassação por 4 a 2. A virada no placar teria custado pelo menos 1,2 milhão de reais. Procurado por VEJA, o suplente Gim Argello confirmou o encontro com Roriz, mas disse que não faria comentários a respeito de pagamento de propina.

Na versão oficial de Roriz, a sobra de 1,9 milhão não virou propina para ninguém. Foi devolvida ao empresário Nenê Constantino. VEJA perguntou ao empresário o que ele fez com o 1,9 milhão de reais, mas o empresário não respondeu. Roriz, por sua vez, alega que os 300 000 reais foram usados para pagar uma bezerra, de 271 000 reais, e a sobra de 29 000 reais foi emprestada a Benjamin Roriz, seu primo, que estava com problemas de saúde na família. O problema de Roriz é que a nota fiscal que supostamente comprova o pagamento de 271.000 pela bezerra está crivada de mistérios. A nota foi emitida no dia 1º de março, o bicho foi entregue no dia 3 e o pagamento foi feito apenas no dia 14. Por que alguém entrega a mercadoria e a nota antes de receber o dinheiro? Além disso, a nota informa a venda de “04″ animais, mas na versão de Roriz foi apenas uma bezerra.

Mais: na nota consta o pagamento de 532.000 reais, mas Roriz diz que obteve um desconto de 50%. O vendedor confirma. “Ele chorou muito e eu dei o desconto de 50%”, diz o pecuarista Márcio Serva. Mas fica a pergunta: por que o vendedor faz uma nota com um valor superior ao real? Para pagar mais imposto? Márcio Serva não soube explicar. Por fim, a nota fiscal distribuída à imprensa vem com um cabeçalho de fax em que se lê a data de 30 de maio de 2005. Com base nessas informações, deduz-se que nessa data a nota foi enviada da empresa de Roriz para algum outro lugar – o que sugere que a nota, apresentada como sendo de agora, é muito mais antiga. Isso é fraude. Os assessores de Roriz dizem que o fax estava com defeito e informava data e hora incorretas. Apesar do acúmulo de inconsistências a respeito da nota fiscal, ainda assim não há evidência concreta de que o negócio de 271.000 reais não tenha sido feito. O que parece certo é que a parte do leão do dinheiro, o 1,9 milhão de reais restantes, não foi para as mãos do empresário Nenê Constantino, mas acabou azeitando o propinoduto de Roriz. Haverá mais lágrimas e mais retórica.

(Reportagem transcrita da VEJA, edição de 4/7/2007)

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Thursday, June 28, 2007

Prevendo cassação, Roriz deverá ser mais esperto do que Renan e renunciar antes da abertura do processo

Se não renunciar ao mandato de senador da República, Joaquim Roriz corre o risco de nunca mais voltar à política - pois está praticamente certo que na terça ou quarta será aberto o processo no Conselho de Ética, como pedem requerimento do PSoL e mobilização de rua multipartidária no fim de semana.

Se bobear, achar que não será aberto processo por decoro parlamentar, dança. Mesmo porque até o corregedor, delegado-senador Romeu Tuma já disse que há sim quebra de decoro na conversa gravada pela polícia (de Brasilia) e confirmada por nota à imprensa sobre a tal bezerra de ouro.

O processo so perde razão de ser, após aberto, se o réu renunciar. Mesmo assim os autos devem ser remetidos ao Ministério Público e à polícia, se for o caso.

Como em Brasilia Roriz era o líder de uma extensa máfia, que envolve deputados como Pedro Passos, empresário do ramo da grilagem de terras públicas, que começou na vida pública com o escândalo de uma  gravação telefônica, sobre rolo de terra no Lago Sul.

Ouça trechos da fita, na barra lateral à sua direita. 

Quase fez Roriz perder eleição em 2002 (ganhou no tapetinho com apenas 1% dos votos de diferença, vê se pode) mas se elegeu o último deputado.

Mês passado estreou na carceragem da Polícia Federal, agora por rolo com emendas superfaturadas para a Gautama.

Com esse tipo de amizade, fica difícil imaginar o coronel do cerrado sendo salvo por algum amigo milagreiro nesta altura da vida de choradeira e boi de milhão.

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