Saturday, August 18, 2007

Brasil mostra reservas récordes de US$ 160 bilhões para enfrentar crise financeira mundial

A resposta do governo Lula aos especuladores que aproveitam para ganhar dinheiro com a crise internacional de crédito foi rápida: o Banco Central informou hoje (17) que as reservas brasileiras atingiram US$ 160 bilhões - o nível mais alto da história, mostrando que o país estaria preparado para a eventualidade de agravamento da crise financeira mundial.

Quando começou a crise externa devido à quebra do mercado de crédito imobiliário nos Estados Unidos, semana passada, as reservas brasileiras já estavam em pouco mais de US$ 158 bilhões - “quase US$ 100 bilhões de colchão de garantia”, disse um economista do Ministério da Fazenda.

Em Nova York o dia começou com uma surpresa, mostrando aos especuladores que o Federal Reserve (Banco Central americano) está disposto a agir para acalmar as bolsas: foram reduzidas em meio ponto percentual as taxas do redesconto, cobradas dos bancos comerciais para obter crédito do Fed no fechamento de posições  temporárias de iliquidez. As taxas cairam de 6,25% para 5,5%

“Vamos usar quantas vezes for preciso”, avisou o Fed. No Brasil já se usou muito isso, mas lá era algo quase esquecido, há 14 meses não se mexia na taxa de redesconto.

Agora o mercado espera que caiam também as taxas de juros básicos, similar à nossa taxa dos títulos públicos (selic) fixada regularmente nas reuniões do comitê de politica monetária do Banco Central (Copom).

A reunião do Fed para ver isso está marcada para dia 18, mas nada impede uma antecipação, se for preciso.

Tudo depende do tamanho do apetite do mercado.

O dólar no Brasil estabilizou-se no nível de R$ 2,025 e pode voltar ao nível de R$ 1,9 ou até de R$ 1,8 como esperavam os bancos para o final deste ano. Tudo depende da queda de braço nos próximos dias, semanas, meses. 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as variações no câmbio não afetam o crescimento da economia brasileira nem provocam pressão inflacionária.

Economistas conservadores como Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, prevêm um crescimento do PIB este ano pouco acima de 5%.

Ele não disse, mas certamente o pacote para blindar a economia, contra a crise internacional de crédito, passa pelo fortalecimento do balanço de pagamentos, com o acúmulo de mais reservas e dólar mais alto para estimular exportações e conter importações.

Assim como inclui maior preocupação com as contas nacionais do que os economistas do PT costumam ter - será preciso manter o superávit primário elevado e dar uma freada na tendência de queda na taxa básica de juros.

O Copom deve pelo menos deixar como está, interrompendo a sequência de quedas nas taxas, dependendo de como se comportam os mercados na próxima semana.

Se continuar a volatilidade que se viu ontem e hoje,  certamente o BC aumentará em pelo menos 0,25 pontos a taxa básica de juros, que regula as transações entre os bancos e se reflete sobre a oferta de crédito e os juros na ponta final do consumidor. 

Este tranco, segundo economistas do Ipea, é para avisar que há bala na agulha suficiente para desestimular os que especulam contra os fundamentos do capitalismo global. 

Posted by Joao Arnolfo in 04:04:10 | Permalink | Comments (3)

Wednesday, August 15, 2007

Dólar ultrapassa dois reais, bolsas caem mas Lula diz que é apenas reflexo da turbulência mundial

A crise financeira internacional pegou forte hoje no mundo todo, com baixas nas bolsas do mundo todo, seguindo as noticias de problemas com o mercado imobiliario americano.

O Ferderal Reserve, o banco central americano, injetou mais US$ 7 milhões no mercado para socorrer o sistema financeiro afetado pela queda na compra de casas e maior inadimplência entre os consumidores. 

No Brasil a bolsa caiu quase 4%, todo mundo vendendo ações com medo do que vem por aí - e comprando posições em dólar, embora o centro do problema esteja nos Estados Unidos desta vez.

Como este economista havia previsto semana passada, no Brasil o dólar voltou a ultrapassar a barreira psicológica de 2 reais.

No início da crise estava em 1,8 por dólar, foi a 1,9 e hoje chegou a 2,03. Em maio do ano passado estava em 2,04. Quanto mais tempo este dolar ficar elevado, vai haver reflexo na inflação.

É possível que a economia brasileira admita o dólar até 2,30 no final do ano, sem maiores problemas (até com vantagens para o balanço de pagamentos, que agora precisa ficar gordo com reservas superiores aos atuais US$ 158 bilhões).

Acima disso haverá pressão inflacionária e o governo terá que pisar no freio do crédito e da moeda, bem como cortar gastos, fazer mais ajuste fiscal que ficou faltando na época de Pedro Malan.

O presidente Lula diz o que aconteceu nesta quarta-feira no Brasil foi só reflexo do tumulto internacional do mercado financeiro, sem impactos maiores sobre a economia brasileira, que agora tem a vantagem comparativa do biodiesel.

No congresso a crise já é percebida como a maior do capitalismo internetizado. O ex-ministro Antonio Palocci, deputado pelo PT de São Paulo, acha que a crise mundial tende a se agravar, com quebradeiras de instituições nos Estados Unidos, mas “não afetará muito o Brasil”.

Ele concorda que podemos i ter que interromper a tendência de queda dos juros básicos.

Assim como o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, Palocci, o PT e Lula acreditam que os fundamentos da economia brasileira estão tão bons que a crise financeira mundial não vai atrapalhar muito os planos de crescimento e sucessão política com o ministro Nelson Jobim, da Justiça, do PMDB gaúcho.

A tendência declinante dos juros será vista na proxima reunião do Copom, informou uma fonte do Banco Central.

O Planejamento já pisou no freio dos gastos.

-Vamos ver como fica para ver o que fazer com propostas fora de hora, como aumentar despesas com incorporação de 200 mil funcionários sem concurso no “trem da alegria” do Legislativo - disse um economista do governo.

Este ano está garantido, segundo o Ministério da Fazenda, o crescimento récorde dos ultimos tempos - algo entre 4 e 4,5%, mesmo porque ainda estamos em agosto e o Brasil vem atraindo mais investimentos diretos.

É bom mesmo que estes investimentos venham, pois os capitais de risco já estão fugindo das bolsas brasileiras e de outros emergentes.

Para piorar, voltou a subir hoje o risco Brasil, embora ainda abaixo de 200 pontos.

Alcançar o “investment grade” agora ficou mais distante - é preciso mostrar firmeza na crise, arrumar as instituições políticas em frangalhos e transmitir segurança aos investidores externos.

Afinal, trata-se da primeira crise mundial do capitalismo globalizado - e financeirizado em excesso.

Posted by Joao Arnolfo in 21:14:58 | Permalink | No Comments »

Friday, August 10, 2007

Crise financeira mundial poderia estragar festa de Lula em 2008 e 2010

Acende a luz amarela: poderemos voltar a ter taxas de câmbio na base de um dólar para 2 reais ou mais (em vez do atual patamar de R$ 1,90 para US$ 1,00) e a tendência de queda dos juros pode ser interrompida pelo Banco Central.

A última coisa que Lula poderia querer para seu segundo mandato pode estar começando a se delinear no horizonte: uma crise econômica mundial, desencadeada pela insolvência do sistema financeiro imobiliário da economia americana e pelos problemas das exportações chinesas com câmbio artificialmente baixo.

É o perigo da chamada financeirização global.

Além dos fundamentos econômicos, o pano de fundo para a crise da economia globalizada está dado há tempos: as guerras no Iraque, Paquistão, Afeganistão, com ameaça de expansão do conflito árabe-israelense e entrada do Irã no clube atômico, e agora a necessidade de adaptação do capitalismo ao aquecimento global, com aumento de custos de produção e deslocamento de capitais.

O presidente americano George Walker já explicou que “os fundamentos da economia dos Estados Unidos estão sólidos e são exemplo para o mundo”.

É como “pronunciamientos” de republiquetas: se está tudo bem, para quê explicar?

Aqui dentro o ministro Guido Mantega também achou por bem explicar na portaria do Ministério da Fazenda - onde ministros devem ser proibidos pelo assessor de imprensa de dar entrevista  - o que todo mundo já sabe: inflação está baixa, o câmbio é favorável, a economia está crescendo de modo sustentável e, principalmente, o país tem reservas récordes de US$ 158 bilhões para bancar qualquer falta repentina de liquidez internacional.

Seguro morreu de velho: o Banco Central certamente vai interromper ou graduar para parar a queda das taxas de juros nas próximas semanas, até entender o que está havendo com as bolsas e o lado real da economia.

Havendo uma crise externa daqui até o final do ano, seu reflexo se faria sentir na eleições municipal de 2008?

Dependendo da extensão, poderá  contaminar a campanha eleitoral de 2010 para presidente, governadores, senadores e deputados.

Posted by Joao Arnolfo in 08:09:09 | Permalink | Comments (2)