Mas teve foi que providenciar uma ofensiva publicitária de emergência para responder à confirmação oficial da denúncia da Globo de que pelo 2 das firmas que ele aponta como compradoras de carne em Alagoas são de fachada, pelas novas perícias do próprio Senado em busca de dados para a Polícia Federal.
Carlos de Lanoy, garra de repórter novo, já tinha mostrado isso no Jornal Nacional mês passado - foi lá conferir e viu de perto como são falsos os bois de ouro do senador.
Aliás, Paulo Lacerda, da Federal, mandou avisar que no maximo em 10 dias “sai alguma coisa”, mas o prazo mesmo para responder ao pedido de nova perícia vai até 15 de agosto.
Ou seja: caso Renan só andará na segunda metade de agosto.
Ontem o senador foi ao programa Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta, repetidora da Rede Globo e controlada pelo senador Fernando Collor (PTB-AL).
Gustavo Krieger escreve hoje no Correio Braziliense que Renan e Collor mantêm “boas relações políticas”.
Isso inclusive explica muita coisa que vinha acontecendo na Mesa do Senado ultimamente: ninguém conseguia explicar porque o presidente do Senado não atendia desde abril o pedido da Frente Ambientalista Parlamentar, com 300 deputados e senadores coordenados por Zequinha Sarney (PV-MA), para que fosse convocada sessão conjunta para ouvir o ex-quase futuro presidente americano Al Gore, no Congresso.
É que o convite da Frente atrapalhou outro que vinha sendo anunciado pelo recém eleito senador Fernando Collor, que achava que os marketeiros de Gore deixariam que ele viesse ao Brasil a seu convite, para aparecer ao lado da imagem negativa que o ex-presidente alagoano carrega (já reparou que ninguem gosta de sair em foto ao lado dele e de Maluf, por exemplo?).
“Deixa ele, ele já pagou seus crimes nestes oito anos de ostracismo”, tentou contemporizar o companheiro Zequinha, filho do ex-presidente José Sarney, tido até pouco tempo como aliado de Renan.
Collor voltou mais maduro, menos arrogante, mas além de uma plástica para o povão esquecer sua imagem seria bom fazer algo no plano, digamos, mágico- espiritual - para tentar um dia recuperar credibilidade fora de seu curral eleitoral, que parece ser o mesmo de Renan: o povo pobre e sem estudo do estado que os donos de engenho e usineiros da cana-de-açucar empobreceram social e ambientalmente desde os primeiros anos da chegada dos portugueses, cinco séculos atrás.
Outro conflito de Renan com os verdes: ele vem acusando o golpe desferido por Fernando Gabeira (PV-RJ), que recentemente apareceu em pesquisa da Veja como o único deputado que integra uma roda de cinco ou seis parlamentares influentes que a população vê como realmente honestos e éticos (os outros todos são senadores).
E Gabeira prometeu ontem voltar à carga contra o presidente do Senado que “não quer largar o osso”, junto com seus amigos radicais do PSoL e aliados de ultima hora dos partidões de oposição (DEM e PSDB).
A versão de Renan: a crise no Senado seria artificial e Gabeira e o PSoL erram ao confundi-lo com o ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou depois de ser acusado em plenário de corrupto por Fernando Gabeira, em cena histórica.
“As pessoas pensaram que estavam diante de um fato consumado e de uma pessoa vulnerável, um novo ‘Severino’, mas erraram completamente. Em nome da minha dignidade vou resistir até a última hora” - promete o presidente que já não preside o Congresso mas acredita o contrário.
Enfim, o fantasma de Severino colou em Renan e não vai largá-lo enquanto ele não deixar pelo menos a cadeira de presidente do Senado.